Inflação

CPI: Como os últimos dados de inflação impactam a decisão sobre juros nos EUA

10 abr 2026, 14:37 - atualizado em 10 abr 2026, 14:47
(Imagem: iStock/ Darren415)

A inflação nos Estados Unidos voltou a pressionar o radar dos investidores e deve reforçar a postura cautelosa do Federal Reserve nos próximos meses.

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O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,9% em março, maior alta mensal desde junho de 2022, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10). Com isso, a inflação acumulada em 12 meses atingiu 3,3%, acima da meta de 2% perseguida pela autoridade monetária.

O resultado veio em linha com as projeções do mercado, mas a composição dos dados tem gerado leituras distintas entre analistas.

Na avaliação de Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, a aceleração do índice cheio foi concentrada no choque de energia, impulsionado pela alta dos preços do petróleo em meio à escalada das tensões no Oriente Médio. Segundo a casa, esse fator respondeu por parcela relevante da variação mensal.

Ao excluir itens mais voláteis, o núcleo do CPI apresentou alta de 0,2% em março e 2,6% no acumulado de 12 meses, ambos abaixo das expectativas. Para a Nomad, o dado indica que as pressões inflacionárias mais persistentes seguem em trajetória de desaceleração, com sinais de alívio em segmentos como cuidados médicos e veículos usados.

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Como isso impacta os juros?

Essa leitura sustenta a avaliação de que o Fed pode evitar uma reação mais dura no curto prazo, tratando o avanço recente como um choque pontual, condicionado à evolução dos preços de energia.

Já o C6 Bank adota uma visão mais cautelosa. De acordo com a economista Claudia Moreno, embora o núcleo tenha vindo abaixo do esperado, a composição do índice não foi favorável. Para ela, houve alta em segmentos relevantes, como passagens aéreas, vestuário e bens domésticos, enquanto os preços de serviços seguem em patamar elevado, o que sugere persistência inflacionária.

O banco também destaca o impacto direto do cenário geopolítico. Os preços de energia avançaram 10,9% no mês, com destaque para a gasolina, que subiu mais de 20%, refletindo os efeitos das tensões envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel sobre o mercado de petróleo.

Na avaliação do C6, há risco de que esse choque se prolongue, diante de possíveis danos à infraestrutura energética no Golfo Pérsico, o que pode atrasar a normalização da oferta global e manter a pressão sobre os preços.

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Diante desse cenário, o banco vê redução no espaço para cortes de juros nos EUA ao longo de 2026 e projeta a manutenção das taxas no atual intervalo entre 3,5% e 3,75% nas próximas reuniões.

Os dados de março reforçam um ambiente de incerteza para a política monetária americana. Embora o núcleo indique alguma moderação, a pressão vinda da energia e a resiliência de parte dos preços mantêm o processo de desinflação sujeito a riscos no curto prazo.

De acordo com a ferramenta CME Group FedWatch, o mercado aposta majoritariamente na manutenção dos juros na faixa atual de 3,50% a 3,75% para a próxima reunião do dia 29 de abril. As probabilidades indicam 98,4% de chance de manutenção neste momento. Antes da divulgação dos dados, o número era 99,5%.

A expectativa para um corte, no entanto, parece mais distante. Segundo a ferramenta, as apostas são de um afrouxamento monetário apenas em setembro de 2027, com possibilidade ainda limitada de 57,4%.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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