Crescimento dos EUA cai mais que o previsto no 4T25; veja o que impactou o PIB
O crescimento econômico dos Estados Unidos desacelerou mais do que o esperado no quarto trimestre de 2025, afetado pela paralisação do governo no ano passado e pela moderação nos gastos do consumidor. Ainda assim, cortes de impostos e investimentos em inteligência artificial devem sustentar a atividade neste ano.
O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu a uma taxa anualizada de 1,4% no último trimestre, segundo a estimativa preliminar divulgada nesta sexta-feira (20) pelo Escritório de Análises Econômicas do Departamento de Comércio.
Economistas consultados pela Reuters projetavam uma expansão de 3,0%. A pesquisa, no entanto, foi concluída antes da divulgação dos dados de quinta-feira que mostraram que o déficit comercial atingiu o maior nível em cinco meses em dezembro.
No terceiro trimestre, a economia havia crescido a um ritmo de 4,4%. O Escritório Orçamentário do Congresso, órgão apartidário, estimou que a paralisação do governo reduziu o PIB do quarto trimestre em 1,5 ponto percentual, devido à diminuição dos serviços prestados pelos funcionários federais, à redução dos gastos federais com bens e serviços e à suspensão temporária de benefícios do Programa de Assistência Nutricional Suplementar.
O escritório previu que a maior parte da produção perdida seria recuperada, embora entre US$ 7 bilhões e US$ 14 bilhões não fossem compensados.
Antes da divulgação do relatório, o presidente Donald Trump afirmou nas redes sociais que “a paralisação custou aos EUA pelo menos dois pontos no PIB. É por isso que eles estão fazendo isso, em versão miniatura, novamente. Sem paralisações! Além disso, TAXA DE JUROS MENOR”.
O relatório, adiado pelo fechamento recorde do governo por 43 dias, destacou uma expansão econômica sem geração significativa de empregos, além de evidenciar uma economia em forma de “K”, em que famílias de renda mais alta se beneficiam enquanto consumidores de renda mais baixa enfrentam dificuldades, afetados pela inflação elevada causada por tarifas de importação e pela estagnação do crescimento dos salários.
Essas condições contribuíram para o que economistas e críticos de Trump chamam de crise de acessibilidade. Apenas 181 mil empregos foram criados no ano passado, o menor número, fora o período da pandemia, desde a Grande Recessão de 2009, e uma queda em relação aos 1,459 milhão de empregos gerados em 2024.
O crescimento dos gastos do consumidor também enfraqueceu, em comparação com o ritmo acelerado de 3,5% do terceiro trimestre. Economistas afirmam que esse consumo tem sido impulsionado principalmente pelas famílias de renda mais alta e ocorre às custas da poupança, já que a inflação corroeu o poder de compra.