Economia

Crescimento econômico ou ilusão estatística? Entenda o que significa a alta de 1,9% no PIB do primeiro trimestre

01 jun 2023, 11:02 - atualizado em 01 jun 2023, 11:05
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Alta do PIB foi puxada pela alta expressiva no setor de Agropecuária, que avançou 21,6%, e queda de 7% nas importações. (Imagem: Shutterstock)

No primeiro trimestre, a atividade econômica brasileiras acelerou. No período, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,9%, superando as projeções de alta de 1,2%. Com isso, em valores correntes, o PIB totalizou R$ 2,6 trilhões nos primeiros três meses de 2023.

Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, o PIB cresceu 4%. O resultado foi puxado pela alta expressiva no setor de Agropecuária, que avançou 21,6%. Além disso, houve uma queda de 7% nas importações, enquanto as exportações caíram apenas 0,4%.

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Bom, mas nem tanto

Trata-se da primeira leitura da atividade econômica desde que o novo Governo Lula assumiu. Vale lembrar que Brasília vem criticando a política monetária adotada pelo Banco Central, alegando que a Selic em 13,75% ao ano está dificultando a recuperação da economia.

No entanto, o resultado positivo não é visto totalmente como positivo. “A base de comparação é tão ridiculamente baixa que crescer é quase uma ilusão estatística. Que pese medidas recentes de sustentação da demanda como o reajuste do salário mínimo ou mesmo o Bolsa Família mais robusto, ainda não dá para dizer que foi isso que gerou o crescimento atual. Isto deve ter efeito mais para frente”, afirma o economista André Perfeito.

No ano passado, o PIB brasileiro entrou em um movimento de desaceleração, passando de 1,1% para 0,5% do segundo para o terceiro trimestre. Além disso, nos últimos três meses de 2022 houve uma queda de 0,1%.

William Jackson, economista-chefe de mercados emergentes da Capital Economics, também destaca que a análise dos números do PIB do primeiro trimestre sugere que a economia não é tão forte quanto o impressionante aumento de 1,9% sugere.

Isso porque outros setores não tiveram o mesmo avanço que a Agropecuária. Serviços teve uma alta mais contida de 0,6%, enquanto a Indústria registrou queda de 0,1%. Além disso, mesmo a Agropecuária não deve ter um desempenho semelhante nos próximos trimestres.

Já Gustavo Gonzaga, economista da Necton Investimentos, afirma que o resultado do PIB do primeiro trimestre representa uma forte aceleração do ritmo de crescimento observado ao longo dos últimos trimestres. Os números também confirmam a visão de uma atividade econômica mais resiliente do que antecipado no início do ano, apesar da dissipação dos estímulos fiscais realizados ao longo do ano anterior e da política monetária contracionista.

Desaceleração do PIB à vista

Apesar da alta no PIB, uma desaceleração ao longo do ano não é descartada nem pelo próprio governo. Segundo o Ministério da Fazenda, para o segundo trimestre deve ser observado desaceleração do crescimento da Agropecuária uma vez que o aumento da produção de grãos tem impacto muito mais pronunciado no primeiro trimestre, pela colheita da soja e milho 1ª safra.

Para a Indústria, de transformação em especial, indicadores antecedentes não vêm sinalizando recuperação no próximo trimestre. Para Serviços, no entanto, as perspectivas seguem favoráveis para o próximo trimestre, com destaque para geração de novas vagas de emprego formal; para a expansão da massa real em abril; e para a elevação da renda real disponível.

“Projetamos um cenário de desaceleração da atividade econômica ao longo do ano, principalmente se compararmos com o crescimento de 2022. Até porque os juros no patamar atual acaba sendo um grande detrator para a atividade econômica, visto que as condições financeiras seguem apertadas, o grau de endividamento das famílias e das empresas subiram consideravelmente nos últimos meses e o mercado de crédito continua restrito”, afirma Marcos Moreira, sócio da Nexgen Capital.

Editora-chefe
Formada em Jornalismo pela PUC-SP, tem especialização em Jornalismo Internacional. Atua como editora-chefe no Money Times e já trabalhou nas redações do InfoMoney, Você S/A, Você RH, Olhar Digital e Editora Trip.
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