Crise entre BRB e Master sintetiza governo Ibaneis; ex-governador busca vaga no Senado e aposta em infraestrutura como legado
Ibaneis Rocha (MDB) encerrou oficialmente seus dois mandatos como governador do Distrito Federal no último sábado (28). A renúncia, necessária para a candidatura ao Senado, marca a transição definitiva do poder para a agora governadora Celina Leão (PP) e abre um período de incertezas sobre o real estado das contas públicas.
O fator de maior pressão no desfecho do governo Ibaneis é a crise em curso relacionada à compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Investigações e relatórios de órgãos de controle e auditorias internas apontam um impacto no patrimônio da estatal decorrente da compra de carteiras de crédito do Master pelo BRB em um valor estimado de R$ 12,2 bilhões.
Com a liquidação do Master, os papéis viraram pó sem o socorro do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e levou o governo local a pedir socorro de R$ 4 bilhões para fechar as contas do BRB. A governadora local admitiu recorrer ao governo federal para evitar a quebra do banco.
Esse cenário gerou movimentação na Câmara Legislativa do Distrito Federal, onde a oposição articula a abertura de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) para apurar a gestão da instituição. A judicialização do caso, que agora envolve o Ministério Público, enfraqueceu o poder de articulação de Ibaneis em seus últimos dias de cargo e levanta dúvidas sobre a transparência dos métodos utilizados para tentar socorrer o banco.
Gargalos orçamentários e saúde
No campo financeiro, o último ato legislativo relevante foi a aprovação de crédito de R$ 765 milhões para o Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev), destinado ao pagamento de aposentados da Educação. O recurso foi viabilizado por meio de remanejamentos que incluíram cortes na Segurança Pública, e evidencia as dificuldades orçamentárias para a sucessora.
No setor social, ciclo de Ibaneis foi marcado por críticas à saúde pública. Das cinco grandes unidades hospitalares prometidas, apenas duas tiveram as fundações iniciadas. A gestão do Instituto de Gestão Estratégica do Distrito Federal (Iges-DF) e o enfrentamento de crises sanitárias, como o surto de dengue em 2024, geraram desgaste junto à população e contrastam com o discurso de equilíbrio fiscal do governo.
O cenário político para 2026
Ibaneis agora busca viabilizar sua candidatura ao Senado pelo MDB em um ambiente político fragmentado. O ex-governador chega ao período eleitoral sem o apoio do PL e de lideranças da direita, após rompimentos com o grupo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
O sucesso de sua trajetória futura dependerá da capacidade de convencer o eleitorado de que o legado de infraestrutura compensa os passivos financeiros e as deficiências nos serviços públicos. A estratégia final da gestão concentrou-se na entrega de infraestrutura como principal ativo político.
O governo contabiliza cerca de 7,3 mil intervenções urbanas ao longo de pouco mais de sete anos de mandato, tendo como marcos a conclusão do Túnel Rei Pelé e as obras de drenagem na Asa Norte.
Embora esse volume de entregas sustente a narrativa de eficiência do ex-governador, analistas apontam lacunas estruturais importantes. A expansão do metrô, recorrente em promessas de campanha, não saiu do papel, enquanto regiões carentes dependem de novos aportes financeiros para a conclusão de projetos de saneamento e pavimentação.