Crise na Venezuela: UBS vê pouco impacto para mercados da América Latina
A operação militar norte-americana realizada na Venezuela no último sábado (3), que resultou na prisão do presidente Nicolás Maduro, movimentou o noticiário geopolítico. Para os mercados, no entanto, a avaliação do UBS é de que o impacto para os países da região tende a ser limitado no curto prazo.
“Vemos implicações imediatas limitadas para ativos locais nos principais mercados da região (Brasil, México, Chile, Colômbia, Peru e Argentina)”, afirmam os analistas do banco suíço, liderados por Rafael De La Fuente.
No caso do Brasil, o UBS avalia que o porte da economia funciona como um fator de proteção. Apesar de a China ser o principal parceiro comercial do país, o tamanho do mercado brasileiro confere maior poder de barganha no caso de pressões e facilita a diversificação de parceiros, caso seja necessário.
Os analistas também destacam que a relação entre Brasil e Estados Unidos melhorou nos últimos meses. Em novembro, os EUA removeram tarifas sobre carne bovina e café brasileiros e, em dezembro, suspenderam sanções no âmbito da Lei Global Magnitsky.
Para economias menores, como Panamá e Peru, a instituição vê maior risco de pressão dos Estados Unidos, especialmente no que diz respeito a investimentos chineses.
Para a Argentina, a leitura é de que o bom relacionamento entre Donald Trump e o presidente Javier Milei tende a funcionar como um amortecedor político, reduzindo a probabilidade de pressões mais significativas.
Venezuela e risco geopolítico
Ainda assim, o UBS alerta que os riscos podem aumentar caso os acontecimentos do fim de semana desencadeiem preocupações geopolíticas mais amplas, capazes de afetar as expectativas de crescimento global e, consequentemente, os preços das commodities.
Na avaliação do banco, os evento da Venezuela pode levar investidores a “reprecificar cenários de risco extremo que haviam perdido relevância” e a observar com mais atenção “vulnerabilidades específicas de cada país”.
Nesse contexto, México e Colômbia surgem como os principais pontos de atenção. Do lado político, ambos contam atualmente com governos mais à esquerda e enfrentam forte presença do narcotráfico — fator citado como justificativa para a operação na Venezuela. No caso mexicano, soma-se ainda a pressão comercial exercida pelos Estados Unidos nos últimos anos.
Do ponto de vista econômico, o UBS vê esses dois mercados como os mais suscetíveis a reavaliações, com potencial de “aumento da volatilidade” diante de moedas esticadas, posições carregadas e riscos idiossincráticos.
“O peso mexicano (MXN) e o peso colombiano (COP) aparecem caros em nossos modelos (7% e 8%, respectivamente), com distorções também elevadas em relação às médias históricas”, afirma o banco. “No México, há espaço claro para uma reprecificação do câmbio, especialmente considerando que a incerteza relacionada ao USMCA pode ter aumentado após os eventos do fim de semana.”
Em resumo, a leitura do UBS é que, apesar do choque geopolítico, o episódio tende a gerar mais ajustes pontuais de risco e volatilidade do que uma mudança estrutural no cenário para os mercados latino-americanos.