CSN (CSNA3) despenca após resultado: Queima de caixa e dívida “apagam” boa performance da mineração
As ações da CSN (CSNA3) despencam nesta quinta-feira (12) após a companhia divulgar prejuízo líquido de R$ 721 milhões no quarto trimestre de 2025, em um resultado marcado — novamente — pela alta da alavancagem e pela queima de caixa.
Mesmo com um desempenho melhor da mineração, analistas destacam que o endividamento elevado continua sendo o principal ponto de atenção na tese da companhia.
Às 11h, o papel caía 9,26%, a R$ 6,47.
A empresa encerrou o trimestre com dívida líquida de R$ 41,2 bilhões, o que levou a alavancagem para cerca de 3,5 vezes dívida líquida/Ebitda, contra 3,1 vezes no trimestre anterior.
A alta veio após a CSN registrar fluxo de caixa livre negativo de R$ 282 milhões no período. O número foi pressionado por investimentos elevados e despesas financeiras relevantes, fatores que continuam limitando uma melhora mais consistente da estrutura de capital da companhia.
Para o BTG Pactual, a evolução da dívida é hoje o principal ponto de atenção na tese de investimento da empresa. “A tendência de alavancagem continua desfavorável e o aumento da dívida líquida deve seguir pesando sobre a história de investimento da companhia”, escreveram os analistas liderados por Leonardo Correa.
Segundo o banco, a trajetória das ações deve continuar dependente da capacidade da empresa de reduzir o endividamento. “A história deve permanecer dependente de eventos, especialmente da venda de ativos e da redução da alavancagem”, afirmaram os analistas.
O Itaú BBA também chamou atenção para a geração de caixa, destacando que o desempenho financeiro da companhia continua pressionado por investimentos e despesas financeiras. “A companhia registrou geração de caixa livre negativa no trimestre, refletindo principalmente capex elevado e despesas financeiras relevantes”, escreveram os analistas liderados por Daniel Sasson.
Mineração é destaque positivo do resultado da CSN
Apesar da deterioração financeira, o desempenho operacional trouxe alguns sinais positivos. Para o BBA, o resultado consolidado ficou acima das estimativas principalmente por causa da mineração, que compensou parcialmente a fraqueza observada em outras divisões.
Na divisão de mineração, a companhia registrou receita líquida de R$ 4,1 bilhões, queda de cerca de 9% na comparação anual, enquanto o Ebitda somou R$ 1,8 bilhão, recuo de aproximadamente 13% frente ao quarto trimestre de 2024.
No entanto, os números surpreenderam positivamente frente ao consenso do mercado, refletindo volumes de vendas de cerca de 12 milhões de toneladas de minério de ferro, praticamente estáveis na base anual, mas pressionados por preços realizados menores, de US$ 63,3 por tonelada, além de custos mais elevados.
“O Ebitda veio cerca de 11% acima da nossa estimativa, principalmente devido ao desempenho melhor do que o esperado na divisão de mineração”, escreveram os analistas do BBA.
Aço segue pressionado por importações
Já a divisão de siderurgia continuou enfrentando um ambiente desafiador. O setor de aço no Brasil vem sendo pressionado pelo avanço das importações, especialmente de produtos vindos da China, o que tem aumentado a concorrência e reduzido o poder de precificação das siderúrgicas.
Esse movimento tem levado a margens mais comprimidas e menor utilização da capacidade produtiva, cenário que também afetou o desempenho da CSN no trimestre.
Na siderurgia, a companhia registrou receita líquida de R$ 5,2 bilhões, queda de cerca de 6% na comparação anual (contra uma base de comparação já fraca). O Ebitda reportado ficou em torno de R$ 700 milhões, alta de 6,9% no ano, beneficiado por efeitos não recorrentes ligados à ociosidade de produção.
Sem esse impacto, o Ebitda recorrente teria ficado próximo de R$ 386 milhões, com margem de cerca de 7%, indicando um desempenho operacional mais fraco da divisão.
O BTG Pactual destaca que parte do resultado da área de aço foi beneficiada por esse efeito contábil. “O Ebitda reportado foi ajudado por itens não recorrentes na divisão de siderurgia, relacionados à ociosidade de produção”, escreveram os analistas liderados por Correa.
Segundo o banco, ao excluir esse efeito, o resultado recorrente da divisão teria ficado abaixo das estimativas. “Nossa avaliação é que o Ebitda recorrente ficou abaixo do que projetávamos, o que reforça a leitura de que o resultado operacional ainda apresenta volatilidade entre as divisões”, afirmaram os analistas.
O Itaú BBA tem recomendação market perform (equivalente à neutra) para as ações da CSN, com preço-alvo de R$ 9,50. O BTG Pactual também mantém recomendação neutra para os papéis da companhia.