CSN (CSNA3) cai forte após plano de desinvestimento; entenda
A CSN (CSNA3) apresentou nesta quinta-feira (15) um plano de desinvestimentos que pode levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões, com foco na redução da alavancagem e no fortalecimento da estrutura de capital a partir de 2026. A estratégia envolve a venda de participações nos negócios de Infraestrutura e Cimentos.
Por volta das 11h desta sexta, as ações da CSN caiam 3,52%, negociadas a R$ 9,60.
Segundo a companhia, a expectativa é que a assinatura das duas operações ocorra entre o terceiro e o quarto trimestre de 2026.
A XP destaca que, apesar da sinalização positiva, a execução será determinante para o sucesso da estratégia. “A atenção do mercado permanecerá voltada para o timing das transações, as aprovações regulatórias e os valores finais levantados, que serão críticos para a entrega da redução de alavancagem pretendida”, afirmou a corretora em relatório.
De acordo com a corretora, o movimento faz parte de uma estratégia mais ampla da CSN. “Essas iniciativas devem dar suporte a um plano estratégico mais amplo a partir de 2026, focado na otimização da estrutura de capital e na concentração de esforços em negócios de maior margem e maior crescimento”, escreveu a casa.
O BTG corrobora com a leitura de que a movimentação é positiva, mas que a execução será a palavra-chave.
Na avaliação do banco o evento trouxe um senso de urgência bem-vindo em relação à desalavancagem, tema que vem pesando sobre a tese de investimento da companhia há anos. “Considerando que esse tema tem prejudicado a história da ação por anos e vem sendo cada vez mais refletido nos mercados de dívida, acreditamos que este foi um evento oportuno”, afirmou o banco.
Segundo os analistas, o nível atual de alavancagem da CSN segue elevado em comparação aos pares. “Sentimos um alto grau de urgência em consertar o balanço, com alavancagem em torno de 3,5 vezes, claramente excessiva em relação a pares locais e globais, que operam, em média, com dívida líquida sobre Ebitda próxima de 1 vez”, avaliou.
O que planeja a CSN
No segmento de infraestrutura, a CSN avalia a venda de participações que reúnem ativos logísticos relevantes, como os clusters Sudeste — que incluem Tora, Tecon, Tecar e a participação da companhia na MRS — e Nordeste, com FTL, TLSA e Nelog. Para a XP, trata-se de “uma plataforma logística diversificada entre ferrovias, portos e soluções integradas”, cujo desempenho pode melhorar de forma relevante com a entrega dos projetos anunciados.
Já no negócio de cimentos, a companhia estuda a venda do controle da operação, que conta com sete plantas integradas, seis unidades de moagem, 27 centros de distribuição e três terminais logísticos. O Safra observa que, embora a CSN tenha se preparado para um IPO no passado, “as condições de mercado não foram favoráveis” e que, desde então, “opções de venda estratégica surgiram com valuations atrativos”.
Para o Safra, o plano apresentado reforça a desalavancagem como prioridade central da companhia. “Vemos os anúncios como positivos, principalmente porque eles fornecem um cronograma mais claro e mostram que a desalavancagem continua sendo uma prioridade”, afirmou o banco após a reunião de atualização estratégica.
A instituição destaca ainda que a CSN pretende reduzir entre R$ 16 bilhões e R$ 18 bilhões da dívida líquida por meio da venda de ativos e que o objetivo de longo prazo é levar a alavancagem, medida pela relação entre dívida e Ebitda, para cerca de uma vez, principalmente por meio do crescimento do resultado operacional.
Nesse contexto, a CSN Mineração segue como o principal motor de crescimento do grupo e não faz parte do plano de desinvestimentos.
Segundo o banco, a administração planeja acelerar os investimentos em mineração à medida que a desalavancagem avança, com a produção podendo subir de cerca de 44 milhões de toneladas para algo entre 60 milhões e 65 milhões de toneladas até 2030. Para o planejamento de longo prazo, a companhia trabalha com um preço do minério de ferro entre US$ 85 e US$ 88 por tonelada.