CSN (CSNA3): Venda de ativos deve avançar até o 3º tri e companhia aposta em recuperação do aço
Após divulgar prejuízo no quarto trimestre e ver as ações despencarem no pregão desta quinta-feira (12), a CSN (CSNA3) afirmou em teleconferência que segue focada na redução do endividamento, com avanço no plano de venda de ativos e alternativas financeiras para reforçar a liquidez.
A empresa encerrou o período com dívida líquida de R$ 41,2 bilhões, o que pesa nas ações, e a desalavancagem foi um dos principais temas levantados pelos analistas durante o encontro com investidores.
Segundo o diretor financeiro da companhia (CFO), Marco Rabelo, a estratégia principal da CSN continua a ser a monetização de ativos, o que deve permitir reduzir o nível de alavancagem ao longo dos próximos trimestres.
“A proposta de desalavancagem da companhia passa basicamente pela venda de ativos e pela injeção de capital dentro da companhia, permitindo reduzir a dívida bruta e manter o processo de refinanciamento”, afirmou. De acordo com o executivo, o plano pode levar a uma redução de R$ 14 bilhões a R$ 16 bilhões na dívida bruta.
Durante a teleconferência, o presidente da companhia, Benjamin Steinbruch, reforçou que a desalavancagem segue como prioridade estratégica. “Estamos totalmente comprometidos com esse processo. A companhia tem ativos relevantes e estamos trabalhando para monetizar esses ativos e fortalecer a estrutura de capital”, afirmou.
Venda de ativos segue em andamento
No plano estratégico divulgado em janeiro, a CSN anunciou a intenção de vender o controle da divisão de cimentos e estruturar uma plataforma de infraestrutura com ativos do grupo. Segundo Rabello, os dois processos seguem avançando e a companhia trabalha para concluir as negociações ainda este ano.
“Estamos super focados em ter a assinatura desses processos até o terceiro trimestre, conforme já comentamos anteriormente”, disse o CFO.
No caso do negócio de cimentos, o executivo afirmou que a operação tem despertado interesse de investidores de diferentes regiões, incluindo grupos da Ásia, Europa e do Brasil.
Segundo ele, o processo tem se mostrado competitivo e a companhia está otimista com o andamento das negociações.
Além disso, a CSN afirmou que está próxima de concluir uma operação financeira estruturada envolvendo os ativos de cimento, que pode reforçar a liquidez enquanto o processo de venda é conduzido. “A gente acredita claramente que em poucos dias essa operação deve estar assinada, trazendo benefícios financeiros para a companhia e para os credores”, disse Rabelo.
CSN vê melhora gradual no mercado de aço
Na divisão de siderurgia, que explica a atual situação da CSN, executivos da companhia afirmaram que o setor começa a apresentar sinais de melhora após um período de forte pressão de custos e aumento das importações.
Segundo o diretor comercial da área de aço, Luis Martinez, os últimos anos foram particularmente desafiadores para a indústria. “A CSN sofreu o que podia ter de pior nesse período. Tivemos custos mais altos, fomos bombardeados por importações e tivemos que acompanhar o mercado para competir”, afirmou.
Agora, a visão é de que há condições para uma recuperação gradual das margens, especialmente com a expectativa de queda das importações no mercado brasileiro.
A companhia afirmou que já observa sinais de melhora nos preços realizados no mercado doméstico. Segundo Martinez, a estratégia inicial tem sido reduzir descontos comerciais antes de aplicar aumentos de preço.
“No primeiro trimestre, entre melhoria de mix e redução de descontos, devemos ver um impacto positivo entre 4,5% e 6% nos preços realizados”, afirmou.
Para os próximos trimestres, a expectativa é que as margens da siderurgia voltem a níveis mais elevados. “Tirando os efeitos não recorrentes, nossa margem Ebitda estaria entre 7,6% e 8%, acima da média do setor”, disse.
Antidumping e antecipação de compras explicam importações
Essa melhora deve vir, na expectativa da CSN, por uma redução relevante das importações de aço ao longo de 2026, após a adoção de medidas de defesa comercial contra produtos estrangeiros.
Segundo Martinez, parte do aumento observado no início do ano ocorreu por antecipação de compras antes da entrada em vigor das medidas antidumping. “O que vimos em janeiro e fevereiro foi uma antecipação das importações, especialmente antes das medidas de defesa comercial”, afirmou.
A CSN liderou pedidos de investigação que resultaram em medidas antidumping para produtos de aço plano como folha metálica, pré-pintado, galvanizado e laminado a frio, que passam a ter tarifas adicionais por até cinco anos.
Essas medidas foram adotadas após o governo identificar práticas de dumping, com produtos estrangeiros sendo vendidos no Brasil a preços abaixo dos praticados nos mercados de origem.
Para o restante do ano, a expectativa é de queda desses volumes. “A nossa projeção é que as importações recuem entre 1,5 milhão e 2 milhões de toneladas em 2026, principalmente nos produtos mais afetados pela concorrência externa”, afirmou Martinez, destacando que as medidas de defesa comercial devem ajudar a equilibrar a competição no setor.