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CSN, Gerdau, Klabin, Suzano… quem ganha com dólar mais alto?

27/11/2019 - 0:15
Dólar Câmbio
Grandes siderúrgicas como a CSN (CSNA3) e a Gerdau (GGBR4) tiveram boa performance em meio a um dia pressionado na bolsa brasileira (Imagem: Gustavo Kahil/Money Times)

Por Investing.com

Se o dólar se mantiver próximo de R$ 4,20 por mais tempo, a tendência é de que as empresas com receita bastante focada em exportação se beneficiem mais no dia a dia das negociações, em um primeiro momento.

Hoje, na B3, houve alguns exemplos desse movimento. Grandes siderúrgicas como a CSN (CSNA3) e a Gerdau (GGBR4) tiveram boa performance em meio a um dia pressionado na bolsa brasileira.

Em um dia negativo para o Ibovespa, a CSN subiu 4,2%, a R$ 12,87, ao passo que a Gerdau marcou alta de 2,7%, a R$ 17,26. A Vale (VALE3), maior exportadora de minério de ferro, subiu 0,7%, a R$ 51,22. A Bradespar (BRAP4), por sua vez, que tem grande participação na Vale, registrou ganhos de 2,5%, a R$ 34,82.

“Em um primeiro momento, qualquer empresa que tenha um peso relativamente grande da sua receita em exportação se beneficia de forma mais rápida com o avanço do dólar. São empresas do setor de papel e celulose, da agricultura e agropecuária”, diz Rodrigo Tonon Marcatti economista e CEO da Veedha Investimento.

No setor de papel e celulose, as grandes companhias listadas na bolsa são a Suzano (SUZB3) e Klabin (KLBN11), enquanto na área de agronegócio estão, por exemplo, BRF (BRFS3), Minerva (BEEF3), Marfrig (MRFG3) e JBS (JBSS3).

Aviação Gol Azul Latam
Ações de companhias aéreas são afetadas negativamente (Imagem: Money Times)

Custos em dólar

Por outro lado, empresas que são muito importadoras de insumos ou que possuem custos e dívidas dolarizadas acabam saindo um pouco mais no prejuízo. Foi o que aconteceu hoje com as companhias aéreas Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4), por exemplo.

“Neste caso, boa parte do maquinário é importado e, para voar, você precisa de combustível que, por sua vez, é precificado em dólar”, diz Marcatti.

O analista da Mirae Asset, Pedro Galdi, lembra, por sua vez, da própria situação da Eletrobras (ELET3) que, por possuir dívida em dólar, também acaba sendo impactada negativamente. Atualmente, 30% (R$ 8,75 bilhões) do endividamento da empresa se encontra em moeda estrangeira, valor que já caiu em relação ao final de 2018, quando esse percentual era de 44%.

Marcatti diz que, no longo prazo, até mesmo as empresas que dependem muito de importação ou possuem um custo dolarizado acabam se ajustando à realidade do dólar, repassando preços ao consumidor, por exemplo.

O economista diz que, caso o Produto Interno Bruto (PIB) volte a crescer de forma mais expressiva a partir de 2020, os estrangeiros tendem a retornar para o Brasil, cenário em que o dólar poderia dar uma arrefecida.

Com a cotação mais baixa da moeda estrangeira, o movimento mais instantâneo é o de empresas com dívidas e custos dolarizados acabarem sendo mais beneficiadas, diferentemente do que ocorreu hoje.

Com uma retomada mais forte dos investimentos e das privatizações, isso movimenta o mercado de bens de capital, como a Weg (Imagem: Divulgação WEG)

Dólar alto não muda cenário positivo

Porém, Marcatti ressalta que esses movimentos e reações do mercado são muito pontuais. Mais uma vez, ele reforça que se essa queda do dólar ocorrer em um momento de crescimento econômico, grande parte das companhias saem beneficiadas.

“Com a taxa básica de juros em um patamar mais baixo, o carry trade diminuiu muito. Daqui em diante, o que será decisivo na decisão do investidor estrangeiro é a projeção de crescimento de PIB, da expansão de determinada empresa, da governança, etc”, ressalta Marcatti.

No cenário de Galdi, com a economia tomando tração em 2020, todas empresas do setor de consumo ganham, como as grandes varejistas, Magazine Luiza (MGLU3), Via Varejo (VVAR3), Marisa (AMAR3) e Lojas Americanas (LAME4).

“Com a taxa de desemprego recuando um pouco mais e com a concretização dos planos dos bancos de ofertarem desconto para as dívidas de pessoas físicas, o cenário para o varejo e consumo é muito bom”, afirma Galdi.

Já com uma retomada mais forte dos investimentos e das privatizações, isso movimenta o mercado de bens de capital, mexendo com empresas como WEG (WEGE3), Marcopolo (POMO4), CCR (CCRO3).

“Caso as privatizações avancem, haverá um cenário bastante positivo para a CCR, por exemplo. As incorporadoras já estão vendo melhoras, diante da queda dos juros”, diz Galdi.

Paulo Guedes
Segundo Guedes, o cenário de câmbio mais elevado é compreensível (Imagem: Hoana Gonçalves)

Declarações de Paulo Guedes

A economista-chefe do banco Ourinvest, Fernanda Consorte, comenta que a alta do dólar de hoje refletiu as declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, na noite de segunda-feira (26/11), em Washington D.C, nos Estados Unidos.

Em entrevista coletiva após evento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Guedes afirmou não estar preocupado com a desvalorização da moeda.

“Na hora em que o ministro fala isso, o mercado testa”, diz Consorte.

Segundo Guedes, o cenário de câmbio mais elevado é compreensível. “Quando você tem um fiscal mais forte e um juro mais baixo, o câmbio de equilíbrio também ele é mais alto”, afirmou Guedes

O ministro frisou que o Brasil tem uma moeda forte e que flutuações no câmbio não são motivo de preocupação. “Temos um câmbio flutuante, então ele flutua. Às vezes ele está um pouco acima, por exemplo, quando o juro desce, ele sobe um pouco”, afirmou Guedes.

A economista-chefe do Ourinvest comenta ainda que as cotações do dólar nos países emergentes não acompanharam o que ocorreu no Brasil. “Percebe-se que é um movimento bem local”, afirma Consorte.

De forma geral, para ela, o câmbio tem se mantido em um patamar elevado por conta de uma maior saída de dólares do País. Segundo dados do Banco Central (BC), o fluxo financeiro (diferença entrada e saída de dólares) do Brasil está negativo em US$ 38 bilhões.

“Há um movimento de forte aversão ao risco para países da América Latina”, diz Consorte, lembrando sobre as turbulências sociais e políticas nos países vizinhos e o crescimento econômico ainda fraco no Brasil. Soma-se a este cenário, a guerra comercial entre EUA e China

No fechamento do dia, o dólar cravou novo recorde a R$ 4,24, depois de tocar os R$ 4,27 no intraday.

Jair Bolsonaro
“Espero que caia, torço, torço para que caia a taxa Selic, que aumente nossa credibilidade diante do mundo”, disse Bolsonaro (Imagem: Marcos Corrêa/PR)

Bolsonaro continua torcendo para dólar cair

O presidente Jair Bolsonaro chegou a afirmar nesta terça-feira que continua a torcer para que o dólar caia, mas disse que a moeda norte-americana em alta tem vantagens e desvantagens e que acata a posição defendida pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre o câmbio.

“Vi, ouvi e se ele falou está falado”, disse Bolsonaro ao ser perguntado se havia visto as declarações de seu ministro, ao sair do Palácio da Alvorada nesta manhã.

“Espero que caia, torço, torço para que caia a taxa Selic, que aumente nossa credibilidade diante do mundo, agora a economia, é como eu disse, eu sou técnico de futebol. Quem entra em campo são os 22 ministros. Paulo Guedes está jogando na economia”, acrescentou.

O presidente disse ainda que há prós e contras no fato de a moeda norte-americana estar alta, mas não chegou a apresentar quais seriam os benefícios e os prejuízos do aumento do dólar.

Na semana passada, Bolsonaro já havia declarado que gostaria de ver o dólar abaixo de R$ 4 reais, mas atribuiu a alta a fatores externos, como a disputa comercial entre China e Estados Unidos.

(Com Reuters)

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Última atualização por Gustavo Kahil - 27/11/2019 - 0:16