CSN (CSNA3), Vale (VALE3), Braskem (BRKM5) e outras indústrias compram gás em leilão inédito da PPSA
A siderúrgica CSN (CSNA3), a mineradora Vale (VALE3) e a petroquímica Braskem (BRKM5), entre outras grandes companhias industriais, venceram lotes de gás natural da União ofertados em leilão inédito do insumo realizado pela Pré-Sal Petróleo (PPSA) nesta quinta-feira (22), segundo dados da plataforma do certame.
O primeiro leilão para venda direta de gás à indústria brasileira terminou com todo o volume oferecido, de 1,1 milhão m³/dia dividido em 110 lotes, arrematado por 23 empresas de cinco setores grandes consumidores de gás.
O preço médio do gás negociado ficou em US$ 5,83/MMBtu, o que, segundo uma autoridade do Ministério de Minas e Energia, proporcionará às indústrias participantes reduções de 38% a 57% frente à média de US$ 12/MMBtu usada como referência de mercado.
No setor químico e petroquímico, que contou com o maior volume de gás disponibilizado, de 350 mil m³/dia, foram vencedoras a Braskem, Rhodia, Evonik, Ingredion e Peróxidos do Brasil.
Entre as siderúrgicas, metalúrgicas e mineradoras, com 320 mil m³/dia de gás ofertado, foram vencedoras CSN, Gerdau Aços Longos, Samarco, Ternium Brasil e Vale.
Também contrataram gás a Yara Fertilizantes e Multitécnica Industrial, do setor de fertilizantes nitrogenados, com 130 mil m³/dia, e outras 11 empresas dos setores ceramista (200 mil m³/dia) e vidreiro (100 mil m³/dia).
Em relação a preços, os menores lances foram de US$ 4,00/MMBtu para o setor vidreiro, US$ 1,86/MMBtu para o ceramista, US$ 2,30/MMBtu para o siderúrgico, metalúrgico e de mineração, US$ 1,92/MMBtu para químico e petroquímico e US$ 1,82/MMBtu para fertilizantes nitrogenados.
Os lances tiveram uma referência inicial de US$ 1,80/MMBtu para todas as disputas.
Com fornecimento entre março e dezembro de 2027, o gás vendido neste leilão será entregue no Complexo de Energias Boaventura da Petrobras, o antigo Comperj, em Itaboraí (RJ). A partir dali, cada comprador contrata o transporte por gasodutos até suas fábricas.
Demanda reprimida
O leilão da PPSA é o primeiro de venda direta a consumidores do gás natural pertencente à União. A iniciativa buscou ampliar o número de agentes no mercado de gás e contribuir para a competitividade da indústria brasileira.
“O que o dia de hoje comprovou foi que a demanda (por gás) não só existe, mas você tem setores industriais ávidos por adquirir o gás natural a um preço competitivo, com uma formação de preço em leilão”, disse Renato Dutra, secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia.
Segundo ele, as reduções de dois dígitos de preço mostram que é possível fazer política pública com o gás da União, ajudando na competitividade da indústria nacional, “com um preço justo e adequado no sentido de remunerar as infraestruturas (de escoamento e processamento de gás)”.
Segundo o presidente da PPSA, Luis Fernando Paroli, o Brasil terá um novo leilão de gás natural da União à indústria em 2027, com oferta de 1,8 milhão de metros cúbicos por dia.