Curva de juros precifica corte maior na Selic em março após ata do Copom
A curva de juros futuros brasileira opera em queda nesta terça-feira (3) ante os ajustes na véspera (2) com os investidores repercutindo a ata da última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.
O documento confirmou a sinalização de corte na Selic na próxima reunião. Em reação, as taxas de Depósitos Interfinanceiros (DIs) caem até 7 pontos-base ao longo da curva, com o aumento das apostas do mercado de uma redução de 0,50 ponto percentual nos juros em março.
Por volta de 11h (horário de Brasília), a taxa de DI para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, operava a 13,430%, uma queda de 3 pontos-base sobre o ajuste de 13,455% da sessão anterior. Já a taxa de DI para janeiro de 2028 operava a 12,680% ante 12,710% do fechamento anterior, uma queda de 3 pontos-base.
No médio e longo prazos, a diferença é maior: a taxa de DI para janeiro de 2034, longo prazo, marcava 13,335% ante 13,405% do fechamento anterior, o que corresponde a cerca de 7 pontos-base. Para janeiro de 2036, o DI operava a 13,370% ante 13,405% do ajuste anterior.
Na B3, as opções de Copom precificavam na última sexta-feira (30) – dado mais recente – 50,00% de probabilidade de corte de 50 pontos-base da taxa básica em março, 34,00% de chance de redução de 25 pontos e 7,00% de possibilidade de redução de 75 pontos-base.
Nos Estados Unidos, os rendimentos dos Títulos do Tesouro norte-americano – os Treasuries – operam em leve alta com os investidores atentos aos desdobramentos da paralisação (shutdown) parcial do governo, iniciado no último sábado (1º).
Corte dos juros em março
Na semana passada, o Copom decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano, no maior nível da taxa básica de juros desde meados de 2006. Essa foi a quinta manutenção consecutiva e em linha com o esperado pelo mercado. A decisão foi unânime.
O Comitê, por sua vez, sinalizou um possível corte nos juros em março – e a indicação foi confirmada na ata da reunião divulgada na manhã desta terça-feira.
“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz a ata.
O Copom também reiterou que a magnitude dos cortes será definida reunião a reunião. “O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante”, acrescentou.
O Goldman Sachs espera um corte de 0,50 pontos-base na Selic em março, mas não descarta a possibilidade do Copom optar por uma redução menor, de 0,25 pontos-base.
“Há, contudo, um risco relevante de que o ciclo de afrouxamento tenha início com um corte de apenas 25 pontos-base caso os dados que venham a ser divulgados — especialmente inflação subjacente, inflação de serviços e mercado de trabalho — não tragam maior conforto em relação ao cenário de inflação e ao respectivo balanço de riscos”, afirma o economista-chefe do banco, Alberto Ramos.
Diretoria do BC
A curva de juros brasileira também precifica as possíveis indicações do governo à diretoria do Banco Central.
A reunião de janeiro do Copom foi realizada por apenas sete dos nove membros, após a saída de Diogo Guillen da diretoria de Política Econômica e de Renato Gomes da diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, que tiveram mandatos encerrados em dezembro.
Mais cedo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que levou à consideração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva os nomes dos economistas Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti para assumirem as duas diretorias vagas do Banco Central.
Em entrevista à BandNews na manhã desta terça-feira, Haddad disse que os nomes foram apresentados a Lula há três meses e ressaltou que o presidente ainda está colhendo sugestões e não convidou ninguém até o momento.
Cavalcanti é membro do Trinity College da Universidade de Cambridge e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV). Já Guilherme Mello é o atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.
Na véspera (2), o mercado operou com certa apreensão à indicação de Mello e incorporou alguns prêmios de risco à curva brasileira.
O perfil de Mello – um economista heterodoxo com graduação e mestrado pela PUC-SP e doutorado pela Unicamp – desagrada o mercado, que vê risco de uma guinada “dovish” (suave na política monetária) no BC. Este ano, a diretoria do BC terá pela primeira vez suas nove cadeiras ocupadas por nomes indicados por Lula.