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Curva do petróleo aponta alívio à frente, apesar de tensões geopolíticas no curto prazo

26 fev 2026, 12:01 - atualizado em 26 fev 2026, 12:01
petroleo
O gráfico da curva futura indica que estamos em backwardation mesmo com toda a tensão no radar. (Imagem: REUTERS/Vasily Fedosenko)

Nos últimos anos, o petróleo tem sido central no debate macro, principalmente por afetar diretamente a inflação dos combustíveis e, não por acaso, por ser fator de preocupação nas decisões políticas.

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A cotação do petróleo WTI gira em torno de US$ 65 por barril, enquanto a curva futura projeta um declínio gradual nos próximos anos, chegando a algo próximo de US$ 57–58 no horizonte mais longo.

O gráfico da curva indica que estamos em backwardation, mesmo com toda a tensão geopolítica no radar.

Backwardation, em essência, é o prêmio de escassez no curto prazo: o mercado paga mais pelo barril hoje do que pelo barril de amanhã.

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Esse fenômeno normalmente reflete oferta apertada, risco geopolítico latente ou estoques abaixo da média. Embora os três fatores estejam presentes, essa é a estrutura típica de quem encara incerteza imediata.

A principal fonte de incerteza são os conflitos no Oriente Médio, mas há uma mensagem adicional embutida na inclinação negativa da curva: o mercado não acredita que essa tensão vá persistir.

A partir de 2027–2028, os contratos começam a precificar um ambiente mais confortável, com expansão marginal da oferta e possivelmente crescimento global mais moderado. Em outras palavras, o prêmio de curto prazo não tende a se tornar estrutural.

Essa configuração gera efeitos práticos relevantes:

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  • Carrego positivo para posições de curto prazo: em backwardation, rolar posição tende a gerar ganho implícito, ao contrário do contango. Isso sustenta estratégias táticas e reforça o apetite especulativo enquanto o aperto durar.
  • Dilema de hedge para produtores: travar preços longos significa aceitar valores estruturalmente menores que o preço à vista. Muitas empresas optam por proteger fluxo de caixa no curto prazo e manter parte da exposição aberta para o futuro, apostando implicitamente que o mercado pode subestimar riscos — o que representa o risco de estar vendido em petróleo.
  • Pressão inflacionária para importadores: mesmo que o mercado projete alívio gradual, economias dependentes de importação sentem efeito imediato. A política monetária reage ao preço corrente, não à expectativa de queda em 2032.

Se houver um choque adicional de oferta — seja por conflito, interrupção logística ou disciplina mais rígida de produção (OPEC+ reduzindo produção e retendo estoque) — a backwardation pode se acentuar, deslocando a curva para cima.

Por outro lado, se a demanda global desacelerar de forma abrupta, o ajuste virá primeiro pelo spot, achatando a estrutura e favorecendo a venda do petróleo nos níveis atuais.

Para os próximos 60 dias (próximos à expiração de maio), espero que o mercado se normalize. Não considero que o caso do Irã tenha sido mais estressante em comparação com a atuação na Venezuela; ruídos de alta são oportunidades. Contudo, o preço do barril acima de US$ 75 complicaria a visão apresentada neste texto.

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