Da Europa League ao risco da queda: o drama do Tottenham que pode gerar prejuízo de R$ 1,65 bilhão
O fantasma do rebaixamento ameaça um dos clubes mais ricos do futebol mundial. O Tottenham Hotspur vive uma temporada caótica e pode enfrentar não apenas um desastre esportivo, mas também um impacto financeiro bilionário caso caia para a segunda divisão inglesa.
A situação chama ainda mais atenção pelo tamanho do clube. Com faturamento de € 672,6 milhões em 2025, os Spurs aparecem entre as equipes mais ricas do planeta, na nona colocação. Ainda assim, a equipe londrina chega à reta final da Premier League brigando para não cair.
Faltando nove rodadas para o fim do campeonato, o Tottenham está apenas um ponto acima do primeiro time na zona de rebaixamento, o West Ham United. O momento da equipe é alarmante: o clube ainda não venceu no torneio em 2026 e acumula cinco derrotas consecutivas.
A crise surpreende principalmente porque o clube vinha de um raro momento de celebração. Na temporada 2024/2025, os Spurs conquistaram a UEFA Europa League ao derrotar o Manchester United na final, encerrando um jejum de 17 anos sem levantar troféus.
A conquista parecia marcar o início de um novo ciclo em Londres. No entanto, o desempenho irregular no campeonato inglês acabou derrubando o técnico Ange Postecoglou, que foi substituído por Thomas Frank, então comandante do Brentford.
Para tentar reforçar o elenco, o Tottenham abriu os cofres e investiu € 183,8 milhões em contratações. Chegaram ao clube nomes como Xavi Simons, Mohammed Kudus, Mathys Tel e Kevin Danso.
Apesar do investimento pesado, os resultados não vieram. Além do desempenho abaixo do esperado dos reforços, o elenco também foi prejudicado por uma sequência de lesões que tirou de campo jogadores importantes, como James Maddison, Rodrigo Bentancur e o próprio Kudus.
A pressão pelos resultados levou a uma nova troca no comando técnico. Frank acabou demitido e o clube apostou em Igor Tudor. O início, porém, foi desastroso: quatro jogos, quatro derrotas e 14 gols sofridos.
Nem mesmo a campanha europeia trouxe alívio. Após terminar a fase de grupos da UEFA Champions League na quarta posição, o Tottenham sofreu um duro golpe ao perder por 5 a 2 para o Atlético de Madrid no primeiro jogo das oitavas de final.
A próxima rodada do campeonato inglês promete ser mais um grande teste. Os Spurs enfrentam o atual campeão, o Liverpool FC, enquanto veem o arquirrival Arsenal FC se aproximar do título nacional.
Impacto bilionário
Se o pior cenário se confirmar, o impacto nas finanças pode ser gigantesco. Segundo a BBC, o rebaixamento para a EFL Championship pode provocar uma perda de até £ 261 milhões em receitas já na próxima temporada — cerca de R$ 1,65 bilhão.
A queda também teria reflexos diretos no elenco. Contratos de jogadores na Inglaterra costumam prever reduções salariais que podem chegar a 50% em caso de descenso, justamente para compensar a diminuição das receitas.
Além disso, o clube provavelmente teria dificuldade para manter seus principais atletas e poderia ser obrigado a vendê-los por valores menores para equilibrar o caixa.
A situação se torna ainda mais delicada pelo peso da estrutura financeira do clube. Em 2019, o Tottenham inaugurou o moderno Tottenham Hotspur Stadium, arena que custou cerca de £ 1 bilhão e é considerada uma das mais avançadas do futebol mundial.
Membro tradicional do chamado “Big Six” do futebol inglês, o Tottenham não é rebaixado desde a temporada 1976/1977 — um fantasma que agora volta a assombrar o clube londrino.