Dario Durigan: O fiador da estabilidade, que deve deixar a sombra de Haddad para virar protagonista
O nome de Dario Durigan deixou a zona de conforto dos bastidores técnicos para se consolidar como o nome de consenso no tabuleiro sucessório do governo Lula.
Com o plano de Fernando Haddad de deixar o comando da Fazenda para se dedicar à coordenação política e à campanha governista, Durigan emerge como o garantidor da continuidade econômica.
O sinal para o mercado: previsibilidade em primeiro lugar
A escolha de Durigan não é apenas uma questão de confiança pessoal; é uma estratégia de ancoragem de expectativas. Em um ambiente onde trocas de comando costumam gerar volatilidade, o “número 2” sinaliza a manutenção da rota.
Diferente de seu antecessor na secretaria-executiva, Gabriel Galípolo — hoje à frente do Banco Central e visto como um formulador macroeconômico —, Durigan personifica o perfil da gestão pura.
Advogado de carreira com densa bagagem jurídica, ele atua como o arquiteto capaz de operacionalizar o arcabouço fiscal, transformando diretrizes políticas em realidade administrativa e legal.
Um currículo híbrido: Da Meta ao Banco do Brasil
O que diferencia Durigan na Esplanada é seu trânsito fluido entre o rigor público e a agilidade do setor privado.
- Setor público: Experiência estratégica na AGU, Casa Civil e na assessoria especial de Haddad desde os tempos da Prefeitura de São Paulo.
- Setor privado: Sua passagem como diretor de Políticas Públicas do WhatsApp (Meta) no Brasil trouxe ao governo um pragmatismo raro sobre inovação e regulação.
- Governança: A presença na presidência do Conselho do Banco do Brasil e no Conselho Fiscal da Vale conferem a ele o “selo de mercado” necessário para o cargo.
O tripé do favoritismo
Três pilares sustentam o nome de Durigan para assumir o Ministério:
- Chancela do planalto: Já despacha diretamente com o presidente Lula, conquistando a confiança do mandatário pela entrega de resultados e discrição absoluta.
- Habilidade política: Possui trânsito privilegiado no Congresso, essencial para destravar as fases remanescentes da Reforma Tributária.
- Blindagem antirruído: Sua nomeação sinaliza que a Fazenda permanecerá sob comando técnico, protegendo a pasta de indicações políticas e pressões ideológicas.
O que esperar de uma “era Durigan”?
Uma eventual gestão Durigan deve ter foco absoluto na consolidação fiscal. O secretário já sinalizou publicamente o compromisso com a entrega de indicadores robustos até o fim do mandato: inflação sob controle, crescimento estável do PIB e o cumprimento rigoroso das metas fiscais.
Em suma, Durigan é a aposta do governo para que a transição de comando seja lida pelo mercado como um “não-evento”, garantindo a estabilidade em um ano de definições políticas.
* Sob supervisão de Maria Carolina Abe