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David Camacho: marcação a mercado – uma dinâmica natural dos fundos de crédito privado

18/11/2020 - 12:02
Os fundos de investimentos que aplicam em renda fixa e que possuem o objetivo de alcançar rendimentos acima do CDI, afirma o colunista (Imagem: Divulgação/Devant)

Já é de conhecimento de todo o mercado que fundos de crédito privado podem apresentar alguma volatilidade em determinados momentos da economia. Isso acontece porque a indústria de crédito privado é um importante termômetro das expectativas do mercado. 

Há alguns meses, observamos as rentabilidades de alguns fundos de renda fixa CP bem acima dos seus objetivos, refletindo a melhora importante ocorrida no carrego dos ativos por causa da variação dos spreads de crédito.

Olhando um pouco pelo retrovisor, vamos comentar a dinâmica que resultou nas performances atuais dos fundos e explicar o que é e como funciona a marcação a mercado, algo absolutamente natural nesse universo. 

Os fundos de investimentos que aplicam em renda fixa e que possuem o objetivo de alcançar rendimentos acima do CDI geralmente alocam em títulos com remunerações mais atrativas e saem do básico, ou seja, dos investimentos em títulos públicos.

Nesses casos, eles optam por investir em títulos de empresas privadas (crédito privado), que desde o ano passado vêm apresentando uma volatilidade acima da observada até então por diversos motivos, como a COVID-19, por exemplo. Alguns fundos sofreram mais, outros menos, mas todos sofreram com os reflexos da pandemia, ficando abaixo do CDI e até negativos em alguns períodos. 

O que provoca essa volatilidade é um mecanismo chamado marcação a mercado. Ele é um dos motivos responsáveis pela oscilação da rentabilidade dos fundos.

Primeiramente, é preciso lembrar que as características de um título de renda fixa são definidas no momento da sua emissão, seja ele público ou privado. A partir daí, o investidor que empresta seus recursos às empresas ou ao governo ao aplicar nesses títulos já sabe como será remunerado e por quanto tempo deverá ficar com o título em carteira.

Porém, é sabido também que esse mesmo título pode ser comprado e vendido a qualquer momento com preços diferentes no mercado secundário antes do seu vencimento. Essa dinâmica ficará mais clara nos exemplos abaixo:

Exemplo 1: O investidor aplicou seus recursos em uma debênture que vai remunerá-lo pagando o equivalente ao CDI do período + 2% ao ano, com vencimento em 3 anos. Ainda que essa debênture seja negociada todos os dias no mercado secundário com diferentes taxas, se o investidor permanecer com o título até o vencimento, ele receberá exatamente o que foi combinado no momento da aplicação e não sentirá o efeito da marcação a mercado.

Trata-se de um investimento marcado na curva. Mas se no meio do caminho ele resolver abrir mão desse investimento, provavelmente encontrará outros preços sendo oferecidos por ele e terá que vendê-lo com lucro ou prejuízo, dependendo do caso.

Exemplo 2: O investidor aplicou seus recursos em um fundo de investimentos. Dentro desse fundo existem vários títulos com diferentes características de classe, remuneração, prazos etc. Assim como a debênture do exemplo 1, os títulos desse fundo são negociados a vários preços no mercado secundário e também pagarão ao investidor exatamente o que foi combinado no momento da aplicação.

A diferença é que um fundo de investimentos é obrigado a marcar esses títulos a mercado, refletindo nas cotas os preços que são negociados no mercado secundário diariamente. E essas marcações podem ser tanto negativas quanto positivas. Trata-se de um investimento marcado a mercado.

Porém, como estamos falando de renda fixa, a remuneração será ajustada com o tempo para que o investidor receba exatamente o que foi combinado. É isso que significa dizer que um investimento foi marcado a mercado.

Concluímos então que, antes de tomar qualquer atitude, é preciso entender quais razões têm feito os preços dos ativos oscilarem no mercado secundário e, consequentemente, impactado a rentabilidade dos fundos. Dependendo do motivo, principalmente quando não há piora no crédito do emissor e a questão é apenas de desequilíbrio entre oferta e demanda, não faz sentido resgatar os recursos. Em alguns casos (em boa parte deles) o racional é fazer exatamente contrário: talvez seja o momento oportuno para, inclusive, aumentar a posição. 

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Última atualização por Vitória Fernandes - 18/11/2020 - 12:02