Coluna
Clima

De Belém a Berlim: Na COP30, quem deu o ‘tom’ foi agronegócio brasileiro

29 nov 2025, 10:00 - atualizado em 27 nov 2025, 17:16
florestas cop30 (1)
(iStock.com/Paralaxis)

Chegamos ao fim de mais uma COP – a 30ª Conferência das Partes sobre o Clima –, que, como escrevemos em nossa última coluna, deveria catalisar os corações e mentes do agronegócio brasileiro, trazendo-o para o centro das soluções às questões climáticas globais.

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A despeito de alguns percalços — como o “bate-boca” presidencial com o chanceler alemão, que em nada contribuiu para os debates de alto nível travados na conferência, e o incidente do incêndio em uma das estruturas da COP30 — este colunista, assim como a maioria dos presentes, acredita que o evento cumpriu sua finalidade: reposicionar o agronegócio brasileiro, e a agricultura tropical como um todo, no olhar das demais nações como um dos maiores aliados no combate às mudanças climáticas.

Embasamento e seriedade no tratamento dos temas caros ao agronegócio

Apesar de ausências relevantes — e já esperadas — como a dos Estados Unidos, a COP segue sendo um marco essencial para a discussão dos “remédios” disponíveis para enfrentar a crise climática, cujo reconhecimento científico é consenso entre as nações. Governos, organizações não governamentais e instituições especializadas se encontram nesses espaços para tratar com seriedade os desafios globais.

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Assim, por ser uma COP “em casa”, o setor mais dinâmico e pujante da economia brasileira — o agronegócio — mobilizou suas principais instituições para marcar presença. Elas não apenas montaram um espaço físico em Belém para receber autoridades e apresentar ao mundo a força e a sustentabilidade do setor, como levaram representantes de peso para consolidar uma presença indelével. O objetivo: colocar o agronegócio brasileiro no centro das soluções globais para o clima, algo que já começava a ser reconhecido desde a COP-28, mas ainda sem uma identidade própria.

A COP do agronegócio

Podemos dizer que, pelos estudos apresentados, pelos debates realizados, pela presença robusta e pela postura das lideranças e autoridades envolvidas, o agronegócio brasileiro conseguiu se fazer ouvir e marcar os debates da COP-30. Mostrou ao mundo sua capacidade de gerar valor, promover sustentabilidade nas cadeias globais de produção e demonstrar a efetividade das políticas públicas brasileiras voltadas ao setor.

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Ficou claro que o empreendedorismo do agro — que, ao longo dos anos, buscou soluções privadas para seu desenvolvimento, sempre amparado por políticas públicas capazes de respaldar esse avanço — pode servir de paradigma internacional para as soluções climáticas, desde que sustentado por políticas estruturantes e por uma agropecuária de baixo impacto ambiental na faixa tropical do planeta.

Além de garantir segurança alimentar, energia limpa e fibras sustentáveis à população mundial, a agricultura tropical contribui decisivamente — como demonstram estudos apresentados na conferência — para soluções efetivas que asseguram alimentos de qualidade, sustentabilidade e, portanto, paz e estabilidade entre países e populações.

A derrogação do tarifaço de Trump

Nesse contexto, a “marca” deixada pelo agronegócio na COP de Belém não apenas permanecerá viva na pauta das negociações internacionais sobre clima e comércio sustentável, como também repercutiu além das fronteiras da conferência.

Mesmo em negociações com países ausentes da COP, como os Estados Unidos, a demonstração da importância global da produção agropecuária brasileira mostrou-se crucial. A revogação, pelo governo norte-americano, do tarifaço aplicado a diversos produtos brasileiros — como café, carne e frutas —, embora não diretamente ligada à COP, se relaciona ao fortalecimento do setor no cenário internacional. A medida traz alívio imediato e reafirma o reconhecimento global da relevância do agronegócio brasileiro, protagonista indispensável nas cadeias globais de produção e consumo. Trata-se de mais uma ratificação do setor como vetor de desenvolvimento sustentável e paradigma internacional.

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Por fim, este colunista se ausentará por alguns dias para se dedicar a atividades tão nobres quanto, embora menos empolgantes do que acompanhar os desdobramentos do cenário climático e comercial que envolve o agronegócio brasileiro. Quando retornar, espera trazer notícias ainda mais alvissareiras para comentar aqui. Vamos para cima, sempre!

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Advogado especializado em Direito do Agronegócio
André Passos é advogado especializado em Direito do Agronegócio, Direito Tributário, Direito Societário, Contencioso Cível, Operações Estruturadas e Negócios. É sócio-fundador do Passos e Sticca Advogados Associados (PSAA), com MBA em Finanças e Mercado de Capitais pela MP Consultoria/Banco BBM, LLM em Direito do Mercado Financeiro e de Capitais pelo Ibmec e bacharel em direito pela UERJ. É também professor nos programas de pós-graduação da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e conselheiro fiscal da Beneficência Portuguesa de São Paulo.
André Passos é advogado especializado em Direito do Agronegócio, Direito Tributário, Direito Societário, Contencioso Cível, Operações Estruturadas e Negócios. É sócio-fundador do Passos e Sticca Advogados Associados (PSAA), com MBA em Finanças e Mercado de Capitais pela MP Consultoria/Banco BBM, LLM em Direito do Mercado Financeiro e de Capitais pelo Ibmec e bacharel em direito pela UERJ. É também professor nos programas de pós-graduação da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e conselheiro fiscal da Beneficência Portuguesa de São Paulo.
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