De ‘nunca critiquei’ a ‘menor que a cadeira’, Tarcísio vira alvo em evento de Haddad e Márcio França
O governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) virou o alvo dos adversários Fernando Haddad (PT) e Márcio França (PSB) no evento de anúncio do acordo para a futura chapa entre ambos para a disputa ao governo paulista nas eleições 2026. Após meses de negociações, França foi confirmado nesta quinta-feira (25) como nome a vice de Haddad na disputa contra Tarcísio, pré-candidato à reeleição.
Haddad afirmou que "nunca criticou" o atual governador ser do Rio de Janeiro e não de São Paulo. "O que eu critiquei foi porque ele foi trazido para cá pela mão de uma terceira pessoa", disse Haddad se referindo ao ex-presidente Jair Bolsonaro, padrinho político de Tarcísio, ex-ministro do seu governo.
"Não veio de espontânea vontade para cá. Ele queria ser senador por Goiás. E aí ele resolve artificialmente vir para cá, sem nenhum conhecimento, nenhuma raiz aqui."
Ao longo da campanha de 2022, quando disputou o Palácio dos Bandeirantes contra Tarcísio pela primeira vez, e perdeu, Haddad explorou a falta de raízes locais do adversário, com críticas ao desconhecimento geográfico, político e prático que ele teria sobre o Estado. O petista argumentava que, por ter construído a carreira no Rio de Janeiro e em Brasília, Tarcísio "caía de paraquedas" na política paulista e não sabia sequer onde votava.
Ao para anunciar a definição da chapa alinhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em São Paulo, Haddad negou haver incoerência no fato de Simone Tebet e da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede), ambas pré-candidatas ao Senado, não serem paulistas. Tebet é natural de Mato Grosso do Sul, e Marina, do Acre.
"Meu pai vem do Líbano. Como é que eu vou ter preconceito com quem não é de São Paulo? Meu pai nasceu no Líbano. Toda a minha família é imigrante", continuou o petista. "O problema é quando você é artificial. E eu sabia que isso ia acontecer, porque eu sempre dizia: o Tarcísio está com a cabeça fora de São Paulo", disse referindo-se ao período que Tarcísio era considerado pré-candidato à Presidência da República.
"Menor que a cadeira"
No mesmo evento, Márcio França disse Tarcísio "é uma pessoa menor do que a cadeira do governo de São Paulo". Ele citou o ex-governador e atual vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), de quem foi vice-governador, como um nome importante na campanha em São Paulo em busca de votos do interior, onde o atual governador tem vantagem nas pesquisas.
"Tarcísio teve pelos três anos e meio a oportunidade de visitar as cidades de São Paulo e ele optou por não visitá-las. Tarcísio, acho que não esteve em 20% das cidades pessoalmente", disse França. "O Alckmin fazia todos os anos, ia a todas as cidades."
O ex-ministro do Empreendedorismo disse ainda que - diante da possibilidade da eleição ser decidida em primeiro turno por ter apenas Tarcísio e Haddad pré-candidatos - é preciso estar preparado para surpresas.
"Quando você arrisca o primeiro turno, ele sempre é apertado. Não existe um turno que seja um turno muito largo. Um turno só é sempre apertado, para lá ou para cá. Porque a gente espera que seja para cá", afirmou.