Cinema

De onde veio o dinheiro para o filme ‘O Agente Secreto’? Spoiler: não teve Lei Rouanet

13 jan 2026, 14:12 - atualizado em 13 jan 2026, 14:12
Wagner Moura no Globo de Ouro, filme o Agente Secreto — Foto: Etienne Laurent / AFP
Wagner Moura no Globo de Ouro — Foto: Etienne Laurent / AFP

Depois de vencer dois Globos de Ouro e recolocar o cinema brasileiro no centro das atenções, O Agente Secreto ganhou também um segundo protagonismo: as fake news 

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Bastou a premiação para que as redes sociais ressuscitassem um velho debate sobre dinheiro público, incentivos culturais e a onipresente Lei Rouanet. A pergunta que se espalhou foi simples: de onde veio o dinheiro do filme? 

A confusão ganhou força depois que O Agente Secreto venceu o Globo de Ouro de melhor filme em língua não inglesa, e Wagner Moura levou o prêmio de melhor ator em filme de drama, na edição de 2026.  

Com a vitória, o nome da Lei Rouanet entrou nos “trending topics” do X (antigo Twitter). 

O orçamento do filme

Dirigido por Kleber Mendonça Filho, O Agente Secreto teve custo de produção estimado em R$ 27 milhões. Segundo a Agência Nacional do Cinema (Ancine), o orçamento total chegou a R$ 28 milhões, considerando a coprodução internacional. Desse montante: 

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  • R$ 13,5 milhões correspondem à parte brasileira;  
  • R$ 7,5 milhões vieram do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA); 
  • o restante foi bancado por aportes privados e parceiros estrangeiros, principalmente de França, Alemanha e Holanda.  

Ou seja: não houve uso da Lei Rouanet na produção do longa-metragem. 

Por que a Lei Rouanet não foi usada?

Porque ela não se aplica a longas-metragens de ficção. Criada em 1991, a Lei Rouanet — oficialmente Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac) — funciona como um mecanismo de incentivo fiscal, não como repasse direto de dinheiro público. 

Empresas e pessoas físicas destinam parte do Imposto de Renda a projetos culturais aprovados pelo Ministério da Cultura. Mas há limites claros. 

No audiovisual, a lei pode apoiar:  

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  • documentários; 
  • curtas e médias-metragens.  

Longas de ficção, como O Agente Secreto, ficam fora desse escopo.  

Então o que é o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA)?

O FSA é um instrumento específico para o cinema e o audiovisual. Ele funciona por meio de editais públicos, com regras técnicas, análise de mérito e acompanhamento da execução.  

Em 2023, O Agente Secreto venceu um concurso público do FSA, ao cumprir os critérios do edital. O dinheiro é liberado para produção, com fiscalização contínua e prestação de contas. Nada de cheque em branco.  

E a comercialização do filme O Agente Secreto?

Além da produção, houve investimento na etapa de lançamento e divulgação. A comercialização custou cerca de R$ 4 milhões: R$ 750 mil vieram novamente do FSA e R$ 3 milhões foram captados via Lei do Audiovisual, outro mecanismo diferente da Rouanet, que permite a pessoas físicas e jurídicas destinarem parte do IR para obras audiovisuais selecionadas pela Ancine.  

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Aqui sim há incentivo fiscal, mas dentro de uma lei específica para cinema, com regras próprias.  

É importante ressaltar que tanto o FSA quanto a Lei do Audiovisual e a Rouanet operam sob fiscalização rigorosa: 

  • gastos rastreados eletronicamente; 
  • prestação de contas detalhada; 
  • acompanhamento do Ministério da Cultura, da Ancine e de órgãos como TCU, CGU e Receita Federal; 
  • transparência por meio de plataformas de consulta pública. 

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Repórter
Jornalista com pós-graduação em Literatura, Artes e Filosofia. Atua como repórter nos portais de notícias Money Times e Seu Dinheiro, onde também já trabalhou como Analista de SEO.
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