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De vilão a herói? Juros altos no Brasil viram escudo em meio ao choque do petróleo

19 mar 2026, 13:09 - atualizado em 19 mar 2026, 13:09
Selic Juros Copom Banco Central Bacen
(Imagem: iStock.com/Rmcarvalho)

Em um cenário global marcado por tensões geopolíticas e disparada do petróleo, aquilo que por muito tempo foi visto como um problema para a economia brasileira pode estar, agora, jogando a favor.

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Os juros elevados no Brasil — frequentemente criticados por frearem a atividade — surgem como um dos principais amortecedores para o real em meio ao aumento da aversão ao risco no exterior.

Durante evento do Itaú BBA nesta manhã, economistas destacaram que, em momentos de incerteza global, o movimento natural do mercado é buscar segurança, fortalecendo o dólar e pressionando moedas emergentes. Desta vez, no entanto, o Brasil aparece em uma posição relativamente mais confortável.

Isso porque o país combina dois fatores relevantes: é exportador líquido de petróleo e mantém um diferencial de juros elevado em relação às economias desenvolvidas.

Esse diferencial funciona como um ímã para o capital estrangeiro, o que ajuda a sustentar a moeda mesmo em um ambiente adverso como o atual.

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“Quase todas as moedas estão se depreciando, mas o Brasil sofre menos no relativo”, disse Pedro Schneider, da equipe de macroeconomia do Itaú.

Com a taxa básica ainda em patamar elevado, em 14,75% ao ano, o Brasil segue oferecendo retorno mais atrativo para investidores internacionais, especialmente em comparação com países desenvolvidos, onde os juros reais são mais baixos.

Esse “prêmio” ajuda a compensar o risco e reduz a pressão sobre o câmbio, mesmo diante de choques externos.

Além disso, o fato de o Brasil produzir e exportar petróleo contribui para esse cenário mais benigno, já que o país se beneficia, ao menos parcialmente, da alta da commodity e não sofre tanto com a interrupção da oferta causada pelo fechamento do Estreito de Ormuz.

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Alívio relativo, não imunidade

Apesar da resiliência recente, a avaliação dos economistas é de cautela. O Brasil pode até estar melhor posicionado, mas não está blindado a uma piora mais intensa do cenário global.

“Se o choque se prolongar, com o petróleo permanecendo em patamares elevados, o impacto tende a ser mais relevante. Isso aumenta o prêmio de risco e, inevitavelmente, pressiona o câmbio”, destacaram durante o evento.

No front doméstico, o alerta também está aceso. “Ano eleitoral, por definição, traz mais volatilidade para os ativos brasileiros”, afirmaram.

Nesse ambiente, o câmbio tende a incorporar não apenas o risco externo, mas também as incertezas locais, adicionando uma camada extra de pressão ao real.

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Choque no petróleo pode fazer bancos centrais subirem juros

No exterior o cenário é mais delicado: o choque do petróleo adiciona uma nova camada de incerteza justamente em um momento em que a inflação ainda roda acima das metas nas principais economias.

Conforme explicou Schneider, historicamente episódios de alta persistente do petróleo levam bancos centrais a adotarem uma postura mais cautelosa — e, em alguns casos, até a interromper ou reverter ciclos de afrouxamento monetário. Energia mais cara pressiona preços e pode contaminar as expectativas de inflação.

É nesse contexto que autoridades como o Federal Reserve e o Banco da Inglaterra ganham menos espaço para cortar juros. No caso dos Estados Unidos, por exemplo, o mercado já começa a reduzir as apostas de flexibilização neste ano, diante de uma inflação ainda resistente e de uma atividade econômica que segue robusta.

Ontem, o Fed optou por manter a taxa inalterada entre 3,5% e 3,75% com um discurso conservador por parte do chairman do banco central norte-americano, Jerome Powell. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, a expectativa de manutenção da taxa no atual patamar prevalece até o começo do segundo semestre de 2027.

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No entanto, até o momento, um aumento não faz parte do cenário-base dos dirigentes.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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