Demanda aquecida e vacância baixa: 6 FIIs de galpões para ter na carteira, segundo o Itaú BBA
O Itaú BBA manteve recomendação de compra para seis fundos imobiliários de galpões logísticos: KNRI11, VILG11, XPLG11, BRCO11, BTLG11 e HGLG11. Outros três, TRBL11, GGRC11 e HSLG11, continuam com indicação neutra pela instituição.
Em relatório, o banco afirmou que a análise está fundamentada no contexto de mercado, na qualidade dos portfólios e no histórico e experiência das equipes de gestão dos FIIs.
Apesar disso, ressaltou que não realizou avaliação de valor justo (valuation) dos veículos e, portanto, não estabeleceu preços-alvo para os ativos.
Galpões logísticos: vacância na mínima histórica
A visão do Itaú BBA para o segmento logístico segue positiva e está apoiada na demanda aquecida e na baixa taxa de desocupação dos galpões.
Segundo dados da SiiLA citados pelo banco, a vacância física consolidada do setor ficou em 3,1% no terceiro trimestre de 2026 (3T26), enquanto o estoque total chegou a 31,2 milhões de metros quadrados (m²).
Entre julho e setembro, foram entregues 303 mil m² de novos empreendimentos, com absorção líquida — indicador que mede a diferença entre as áreas locadas e devolvidas — de 647 mil m².
Em São Paulo, principal mercado logístico do país, a vacância dos condomínios de classes A+ e A (premium) caiu de 5,2%, no 2T26, para 3,3%, no 3T36.
No Rio de Janeiro, outro polo importante para o setor, a taxa nos complexos de mesmo padrão recuou de 9,8% para 7,5% no período.
A projeção do BBA indica que, no estado paulista, a vacância deve continuar em baixa e encerrar 2028 em 2,8%. Já no fluminense, deve fechar 2026 em 6,2%, com leve aumento nos anos seguintes, atingindo 7,6% em 2028.
E-commerce sustenta demanda por logística
Na avaliação do Itaú, o crescimento do comércio eletrônico (e-commerce) continua sendo um dos principais motores da demanda por esses imóveis.
Mercado Livre, Shopee e Amazon, por exemplo, estão entre os maiores ocupantes de galpões em São Paulo. Para se ter uma ideia, entre o terceiro trimestre de 2025 e o mesmo período de 2026, as três empresas ampliaram em 44% a área ocupada, segundo o relatório.
Em âmbito nacional, o MELI ocupa a liderança como o maior locatário de galpões do Brasil, com mais de 1 milhão de m² a mais que o segundo colocado, a Shopee. O movimento, de acordo com o BBA, reflete a necessidade de proximidade aos consumidores.
“Com as compras on-line caindo no gosto, as grandes varejistas expandiram suas operações logísticas. Para isso, essas empresas foram atrás de novos centros de distribuição, em busca de galpões tecnológicos e bem localizados, para atender e entregar seus produtos de forma mais rápida e eficiente. Além das varejistas já consolidadas, temos observado a ascensão de novos players, com destaque para empresas chinesas”, afirmou o banco.
“Essa crescente necessidade de estoques próximos aos consumidores sustenta uma perspectiva favorável para a absorção de galpões nos próximos anos”, acrescentou.
Outro indicador favorável para o setor é a retomada das pré-locações. Depois de recuar desde o pico registrado em 2020, de quase 80%, o percentual voltou a crescer em 2025 e mantém a trajetória em 2026, alcançando 76% ao final de setembro.
Oferta futura exige atenção
Apesar dos fundamentos favoráveis, o Itaú destacou que o volume de novas entregas e a capacidade de absorção de cada região precisam continuar no radar.
Em São Paulo, estão previstos 2,49 milhões de m² de novos galpões nos próximos dois anos. No Rio, a expectativa é de 527 mil m² no mesmo horizonte.
A entrada desses empreendimentos pode pressionar a vacância, especialmente em regiões menos consolidadas ou onde a demanda não acompanhe o crescimento da oferta.
Atenção com Minas Gerais
O banco também chama atenção para Extrema, em Minas Gerais. A cidade mantém vacância de 0% desde o segundo trimestre de 2025, mas tem cerca de 110 mil m² de novos empreendimentos previstos para entrega.
A competitividade do mercado local também pode ser afetada pela Reforma Tributária, uma vez que a demanda por imóveis na região está relacionada, em parte, aos incentivos fiscais oferecidos pelo município mineiro.
Com a redução gradual dessas vantagens tributárias, prevista até 2032, o BBA avalia que há incertezas sobre a atratividade de Extrema no longo prazo. Ainda assim, mantém uma visão positiva para o segmento e avalia que galpões com melhor qualidade técnica tendem a apresentar maior resiliência.