Direcional (DIRR3): O que chamou a atenção do JPMorgan no balanço do 4T25
A Direcional Engenharia (DIRR3) apresentou números mistos no quarto trimestre de 2025 (4T25), na avaliação do JP Morgan, ao reportar margem bruta recorde, mas com lucro líquido abaixo das expectativas, o que pode provocar uma reação negativa nas ações no curto prazo.
Em relatório, o banco norte-americano destacou que a construtora obteve uma margem bruta ajustada de 42,8% entre outubro e dezembro, a maior já registrada pela companhia.
O indicador avançou 3,4 pontos percentuais na comparação com o mesmo período do ano anterior, refletindo, segundo a casa, a rentabilidade elevada dos projetos.
Ainda assim, o desempenho operacional mais forte não se traduziu em um resultado superior ao esperado. O lucro líquido somou R$ 211 milhões no 4T25, alta de 28% na base anual, mas cerca de 4% a 5% abaixo das projeções do JP Morgan e do consenso de mercado.
O banco manteve recomendação neutra para os papéis DIRR3, com preço-alvo de R$ 21, o que implica uma potencial valorização de 39% em relação ao último fechamento, de R$ 15,10.
De acordo com o relatório, dois fatores principais explicam a frustração nas estimativas: um resultado financeiro mais fraco e um pagamento maior a acionistas minoritários.
O resultado financeiro, no caso, ficou 58% abaixo do projetado pela casa, impactado por uma perda de aproximadamente R$ 14 milhões em instrumentos derivativos utilizados para proteção contra oscilações das taxas de juros.
Já a parcela do lucro destinada a sócios minoritários atingiu 25,7%, acima da expectativa de cerca de 21% e superior aos 11,1% vistos em 2024.
Além disso, a receita líquida da incorporadora alcançou R$ 1,23 bilhão no quarto trimestre, avanço de 33% na comparação anual, mas 3% abaixo do consenso do mercado.
“Esperamos uma reação ligeiramente negativa das ações, uma vez que os números financeiros líquidos mais fracos, impactados por R$ 14 milhões relacionados a instrumentos de hedge de taxas de juros e um maior pagamento a acionistas minoritários, podem levar a uma revisão em baixa do balanço”, afirmou o JP Morgan.
Direcional: indicadores sólidos
Apesar disso, a casa norte-americana destacou que os indicadores operacionais da empresa permaneceram sólidos. As pré-vendas líquidas atribuíveis à Direcional somaram R$ 1,31 bilhão no 4T25, crescimento de 5% em relação ao 4T24, enquanto os lançamentos chegaram a R$ 1,68 bilhão, alta de 20%.
Já o preço médio de pré-venda somou cerca de R$ 273 mil por unidade, elevação de 4% em relação ao ano anterior.
A companhia também apresentou geração de caixa operacional de R$ 390 milhões, acima dos R$ 159 milhões registrados no terceiro trimestre (3T25).
Outro destaque foi a expansão do banco de terrenos. A construtora adquiriu 25 novos espaços entre outubro e dezembro, com potencial de vendas estimado em R$ 8,3 bilhões, garantindo, segundo o JPMorgan, um pipeline relevante para os próximos anos.
Na bolsa de valores, o banco apontou que as ações da companhia são negociadas a cerca de 8,7 vezes o lucro estimado para 2026, nível próximo ao de pares como a Cury (CURY3) e acima de empresas como MRV&Co (MRVE3) e Tenda (TEND3).