Diretor do Magalu (MGLU3) diz o que é ‘besteira’ entre IAs (e como a empresa aproveita para lucrar)
No mundo em que a inteligência artificial virou febre, é preciso tomar cuidado para não trocar gato por lebre. Muitas empresas já utilizam o tema para se vender, sem que isso, de fato, traga melhorias práticas para a vida dos clientes. Essa é a mensagem de Caio Gomes, diretor de inteligência artificial e dados do Magalu (MGLU3) em participação no Imersão Money Times, em parceria com a Global X.
Segundo ele, há um ‘hype’ exagerado em torno de algumas ferramentas.
“E, assim, é fácil perceber quem está fazendo hype e quem está vendendo soluções. O Jensen Huang falou que acha que o AGI já existe — besteira”.
AGI é a sigla para Inteligência Artificial Geral (Artificial General Intelligence), um tipo hipotético de IA capaz de compreender, aprender e aplicar conhecimento em uma ampla variedade de tarefas.
“Teve, semanas atrás, a ‘religião dos agentes’ [experimento que tenta demonstrar a capacidade de IAs de criarem culturas e ideologias próprias]. Isso, com certeza, é besteira. Teve também o OpenCloud — um engenheiro bastante conhecido chegou a dizer que é 98% hype e 2% engenharia simples. Então, há muita coisa sendo propagada que não traz novidade relevante”.
Ainda segundo Gomes, as inovações mais relevantes muitas vezes nem chegam a público. No caso do Magazine Luiza, ele afirma que a companhia já consegue gerar mais lucro com seus modelos próprios do que gigantes como OpenAI, Google e Anthropic.
“A gente fez mais, porque todos eles ainda operam com prejuízos muito maiores”, afirma.
Como o Magalu usa a IA?
O Magazine Luiza vem apostando pesado em inteligência artificial para transformar a experiência de compra — e, ao que tudo indica, quer sair na frente nessa corrida.
A companhia estruturou uma diretoria dedicada exclusivamente a IA e dados, com um time de mais de 100 pessoas focadas no desenvolvimento de modelos generativos e discriminativos.
“Atuamos de forma transversal na empresa. Ou seja, passamos por todas as áreas, com diferentes aplicações. Mas talvez a principal novidade — e o maior avanço recente — tenha sido o novo modo de compra que lançamos em outubro: o ‘WhatsApp da Lu’”.
Trata-se de uma jornada de compra completa dentro do aplicativo de mensagens, com proposta end-to-end — da busca ao pagamento — baseada em IA generativa.
Na prática, o consumidor pode pesquisar produtos, tirar dúvidas e concluir a compra apenas conversando com a assistente virtual da empresa, a Lu. O diferencial está na naturalidade da interação: em vez de navegar por categorias ou filtros, o usuário descreve o que procura como se estivesse falando com uma pessoa.
“A OpenAI chegou a anunciar que faria algo semelhante. Mas, como se sabe, não conseguiu avançar como nós. Nenhuma outra empresa — como Amazon ou Alibaba — entregou algo nesse nível”.
Um dos exemplos citados internamente ilustra o nível de sofisticação da ferramenta: ao pedir uma pedaleira de guitarra com sonoridade semelhante à banda Van Halen, o sistema foi capaz de interpretar o pedido e sugerir produtos adequados — algo que vai além das buscas tradicionais por palavras-chave.
A iniciativa reforça uma tendência mais ampla: o uso da IA generativa não apenas como ferramenta de recomendação, mas como interface principal de consumo.