Eleições 2026

Duas eleições presidenciais: Disputa em São Paulo vai além de Haddad e Tarcísio e ganha dimensão nacional

07 abr 2026, 7:00 - atualizado em 02 abr 2026, 16:36
O ex-ministro e pré-candidato ao governo de SP Fernando Haddad (REUTERS/Tuane Fernandes)

O cenário político para São Paulo começou a ganhar contornos mais definitivos na terceira semana de março. Após meses de expectativa, Fernando Haddad (PT) deixou o Ministério da Fazenda e declarou sua pré-candidatura ao governo do Estado.

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A avaliação é de que a candidatura de Haddad é estratégica na campanha presidencial do PT em 2026, na qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disputa o seu quarto mandato. Haddad é o principal nome entre os petistas no estado, que, segundos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), representa quase um quinto (22%) do eleitorado nacional.

O plano é conquistar mais espaço regional contra uma das grandes oposições ao governo federal: o atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

A grande questão para o partido é a rejeição no interior do estado, destaca o professor Marco Antonio Teixeira, do Departamento de Gestão Pública da Fundação Getulio Vargas (FGV). Segundo ele, o presidente tenta trazer nomes de destaque do governo para São Paulo, buscando conquistar um eleitor que não é tradicionalmente petista.

“Tirar a diferença em São Paulo é estratégico para o Lula compensar qualquer eventual perda que ele venha a ter no Norte e Nordeste, que é onde ele tem sofrido um processo de desgaste”.

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Além de Haddad, nomes como Simone Tebet (PSB) e Geraldo Alckmin (PSB) são aliados da campanha petista com influência em SP.

Tebet, que confirmou a candidatura ao Senado em evento de filiação ao PSB, tem forte ligação política com o agronegócio. Apesar de ter iniciado a vida política no Mato Grosso do Sul, afirma ter alterado o domicílio eleitoral para São Paulo a pedidos de Lula e Alckmin.

Durante o anúncio, a atual ministra do Planejamento e Orçamento reforçou o apoio à reeleição do governo federal e fez críticas ao senador Flávio Bolsonaro e à participação da família Bolsonaro na política.

Alckmin governou São Paulo durante quatro mandatos (2001 a 2006 e 2011 a 2018) e possui forte projeção no interior. Ele confirmou a saída do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços para ser lançado novamente como vice de Lula.

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Desafios de 2022 e potencial vice

Para Haddad, a disputa no interior também reflete os desafios de 2022, quando o petista perdeu a campanha contra Tarcísio.

“Tem que resolver esse problema no interior, porque, se não ganhar ou se não diminuir essa diferença, mesmo que ganhe na capital, não vai ser o suficiente. Isso aconteceu em 2022. Não pode acontecer de novo na perspectiva de Haddad”, analisa o cientista político Carlos Melo, professor do Insper.

Para alavancar essa projeção, o ex-ministro já definiu sua equipe: a coordenação da campanha ficará a cargo do deputado federal Kiko Celeguim, presidente estadual do PT e ex-prefeito de Franco da Rocha.

Além disso, Otávio Antunes, que fez o marketing da campanha de 2022, segue com Haddad nessas eleições, e Jilmar Tatto, vice-presidente nacional do PT, será coordenador de comunicação.

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Na composição oficial da chapa para o governo, o PT ainda discute os possíveis nomes para vice. A expectativa é de que o grupo escolha um nome ligado ao agronegócio com destaque no interior. O partido estaria cogitando a ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira Teresa Vendramini.

Disputa polarizada com Tarcísio

Ainda que a campanha não tenha começado oficialmente, as pesquisas já apontam que a disputa em São Paulo terá, muito provavelmente, Tarcísio e Haddad como os grandes protagonistas.

O primeiro levantamento publicado após o anúncio da pré-candidatura, a pesquisa Atlas/Estadão, indicou o atual governador com 49,1% de intenção de votos no primeiro turno. Haddad vem em seguida, com 42,6%. A diferença para o terceiro lugar é significativa nesse cenário: Kim Kataguiri (Missão) seria a escolha de 5% do eleitorado.

Em um cenário de segundo turno, o candidato do Republicanos lidera com 53,5% das intenções, abrindo uma vantagem maior contra o petista que contaria com 43,2% dos votos.

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Segundo os especialistas, a perspectiva, olhando também as eleições presidenciais, é de impulsionar a campanha de Haddad para acirrar a disputa, considerando também o histórico do estado.

“Jair Bolsonaro, em 2018, teve uma quantidade de votos em São Paulo que não se repetiu em 2022. A importância, se vier a eleição do Tarcísio, é perder por pouco, sustentar uma boa votação do presidente Lula, mantendo a força de 2022 aqui”, reflete Melo.

Teixeira complementa: “Como Haddad já teve um desempenho muito bom nas eleições de 2022 e foi ministro durante todo esse tempo, talvez a condição de disputa hoje seja até melhor para ele no estado”.

O professor da FGV analisa que o governo de Tarcísio tem medidas que podem gerar debate de ideias, como a privatização da Sabesp. Além disso, ele também aponta a segurança pública, que tem um peso muito grande para os estados, e a gestão da educação em São Paulo como questões polêmicas.

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Futuro político de Haddad em jogo

Para além das perspectivas de apoio ao presidente Lula na reeleição presidencial, a campanha para o governo de São Paulo representa mais uma aposta na carreira política de Haddad, avaliada por alguns especialistas como “arriscada”.

O ex-ministro entra na pré-candidatura com um histórico recente de derrotas nas urnas. A primeira, na tentativa de reeleição para prefeito da capital, em 2016, superado por João Dória (PSDB). A segunda, em 2018, quando não superou Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno para a Presidência da República. A mais recente, diretamente contra Tarcísio, pelo governo de SP em 2022.

“Para a carreira política do Haddad, talvez fosse mais interessante ser eleito senador, porque ele está vindo de três derrotas eleitorais. Trazer essa marca não é bom, mas ele está fazendo um sacrifício pessoal em nome da própria liderança do presidente e pensando no contexto nacional”, afirma Teixeira.

De acordo com o professor, mesmo com esse histórico, Haddad ainda é o maior nome do PT em viabilidade política para São Paulo. O partido aposta na experiência que ele teve como ex-prefeito na capital e na relação de Haddad com a classe média.

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Os trabalhos recentes próximos ao governo federal também podem ajudar no suporte à campanha, considera Melo: “O PT tem base no Brasil inteiro. Haddad vem do Ministério da Fazenda, onde teve uma gestão com alguns avanços. Os índices econômicos no Brasil são relativamente bons”.

Esse “sacrifício pessoal” também é representativo em relação à lealdade de Haddad a Lula e à necessidade do PT de criar ou definir um sucessor político ao atual presidente dentro do partido.

Neste ponto, os professores têm visões divergentes: para Teixeira, Haddad é o sucessor natural. “O PT não teria outro nome hoje. Inclusive, quando testado pelos institutos de pesquisa ele tem índices próximos do Lula”, afirma.

Melo acredita que ainda é cedo para apostar em uma sucessão para o atual presidente, antes mesmo do resultado das eleições e do mandato presidencial até 2030. “Haddad é o nome mais conhecido depois do Lula, mas ser o principal candidato ou sucessor depende de muita coisa, dos acontecimentos todos que podem vir até lá”, diz.

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Ainda assim, os especialistas concordam que essas eleições representam muito para a carreira pessoal de Haddad e que os resultados podem impactar sua imagem e capital político nos próximos anos, que se entrelaça com o retrato do PT e do próprio Lula.

“Se o Haddad ganha a eleição, ele é governador de São Paulo e, portanto, candidato à Presidência da República. Se ele perde, com o presidente Lula reeleito, ele vira ministro e pode, de alguma forma, continuar na disputa”, avalia o professor do Insper.

O professor da FGV afirma: “Se o desfecho eleitoral for a reeleição do Lula, Haddad sai fortalecido independentemente do tamanho do resultado que ele vai arregimentar no estado de São Paulo. Mas, sem a reeleição presidencial, Haddad se enfraquece também. Até se credencia para ser sucessor do Lula em outras eleições, mas com o PT mais enfraquecido do que com uma vitória neste ano”.

* Sob supervisão de Gustavo Porto e Juliana Américo

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Repórter estagiária no Money Times e jornalista em formação pela Universidade de São Paulo, com passagem pela Sapienza Università di Roma. Antes, trabalhou no UOL, no Terra e no Laboratório Agência de Comunicação da ECA-USP.
Repórter estagiária no Money Times e jornalista em formação pela Universidade de São Paulo, com passagem pela Sapienza Università di Roma. Antes, trabalhou no UOL, no Terra e no Laboratório Agência de Comunicação da ECA-USP.
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