Dividendo de 12,8%: Por que este fundo imobiliário segue como compra para a XP
A equipe da XP Investimentos reiterou a recomendação de compra para o fundo imobiliário Kinea Rendimentos (KNCR11), com preço-alvo de R$ 102,29, o que implica potencial queda de aproximadamente 3% em relação à cotação atual, de R$ 105,81.
Em relatório, os analistas Marx Gonçalves e Eduardo Bacelar destacaram que, mesmo negociando ligeiramente acima do valor patrimonial (VM/VP de 1,03 vez), o FII segue atrativo diante do carrego elevado e do perfil defensivo do portfólio.
De acordo com a dupla, o veículo também apresenta menor volatilidade no mercado secundário em comparação aos pares, característica considerada relevante em um cenário de maior incerteza.
“Embora negocie um pouco acima do valor patrimonial, consideramos o KNCR11 financeiramente atrativo, devido ao carrego elevado e à exposição a CRIs de baixo risco, em um ambiente ainda desafiador para o crédito — fatores que, somados à qualidade da gestão, historicamente sustentam esse prêmio”, escreveram.
Dividend yield elevado
A equipe da corretora também apontou que o dividend yield (retorno em dividendos) do fundo segue em patamar elevado.
Segundo eles, embora a queda da Selic tenha começado neste mês, o que tende a reduzir os rendimentos do FII nos próximos meses, dado que seu portfólio é 100% atrelado ao CDI, os níveis de distribuição devem permanecer atrativos, diante da expectativa de uma taxa básica de juros ainda em dois dígitos ao fim do ciclo de cortes.
“Em nosso cenário base, a projeção é de um dividendo médio mensal de R$ 1,12 por cota nos próximos 12 meses, o que é equivalente a um dividend yield de 12,8%”, disseram os analistas.
“As mesmas estimativas apontam para um juro real próximo de 9,6% no período, reforçando nossa avaliação de que o fundo mantém elevada atratividade mesmo em meio ao ciclo de queda da Selic”, acrescentaram.
Portfólio defensivo e gestão experiente
O KNCR11 é um FII de papel dedicado ao investimento em ativos de renda fixa de natureza imobiliária, com predominância em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs).
De acordo com a XP, suas alocações concentram-se em estruturas de baixo risco de crédito, totalmente indexadas ao CDI e com garantias robustas, incluindo a alienação fiduciária de imóveis.
Outro ponto destacado pela corretora é o papel ativo da Kinea, gestora do FII, que prioriza operações nas quais detém poder de decisão em assembleias.
“A maior parte dos CRIs da carteira do fundo foi originada e estruturada pela própria Kinea, que detém poder de decisão nas assembleias (mais de 50% dos votos), assegurando maior controle e monitoramento dos ativos”, pontuou a casa.
“As garantias são, via de regra, robustas, incluindo a alienação fiduciária de imóveis performados e de alta qualidade.”
Menor volatilidade
Com patrimônio líquido de R$ 11,1 bilhões e mais de 510 mil cotistas na bolsa de valores, o KNCR11 é o maior fundo imobiliário da indústria, representando 7,11% do IFIX.
O veículo movimenta, em média, cerca de R$ 20 milhões por dia no mercado secundário – níveis elevados para os padrões do setor.
“Esses fatores, aliados à elevada liquidez, fazem com que o FII mantenha retornos competitivos e menor volatilidade mesmo em cenários mais adverso”, afirmou a XP, que lembrou que o fundo acumula retorno total equivalente a 146% do IFIX e 110% do CDI bruto no período desde sua estreia, em 2012.