Dividendos: as ações mais recomendadas pelos analistas em abril
Abril reafirma uma tese que o mercado já vem martelando quando o assunto é dividendos: poucas histórias são tão convincentes quanto aquelas que combinam escala, previsibilidade e caixa abundante. E, nesse pódio, três nomes concentram os holofotes.
A Petrobras (PETR4) segue soberana, com oito indicações nas carteiras recomendadas, mantendo o posto de ação mais indicada do mês. Logo atrás, aparecem empatados com seis recomendações o Itaú Unibanco (ITUB4) e a Telefônica Brasil (VIVT3), formando um trio que mistura commodities, sistema financeiro e telecomunicações, três motores de geração de renda na bolsa brasileira.
O pódio foi realizado de acordo com levantamento feito pelo Money Times a partir da consulta de 14 carteiras recomendadas no mês de abril.
O trio
No caso da Petrobras, a tese segue girando em torno da força quase geológica do pré-sal. A companhia continua demonstrando elevada capacidade de execução, com expansão relevante da produção nos últimos anos e uma estratégia que, ao menos até aqui, equilibra investimentos e remuneração ao acionista.
Analistas destacam que o uso de plataformas via leasing ajudou a reduzir desembolsos iniciais e preservar a flexibilidade para dividendos, ainda que o aumento de unidades próprias até 2027 deva pressionar o capex. Nesse contexto, o mercado já começa a calibrar expectativas: há espaço para bons proventos, mas com possíveis oscilações à medida que investimentos e aquisições avancem.
Mesmo assim, o pano de fundo segue favorável. A combinação de preços do petróleo em níveis mais elevados, impulsionados por tensões geopolíticas, e uma curva de produção mais robusta sustenta a visão de geração de caixa relevante nos próximos anos.
Não por acaso, a Petrobras segue altamente sensível tanto ao Brent quanto ao noticiário político, com eleições de 2026 e novas fronteiras exploratórias, como a Margem Equatorial, no radar.
Já o Itaú ocupa um espaço diferente nesse ecossistema: menos volátil, mais previsível, quase como um relógio suíço vestido de banco universal. Na visão do Santander, o banco se destaca pela escala e diversificação, atuando como um conglomerado financeiro com presença em múltiplos segmentos, o que ajuda a suavizar ciclos e reduzir a volatilidade dos lucros.
Os analistas elevaram o preço-alvo para R$ 50 e reiteraram a recomendação de compra, destacando que o banco tem conseguido proteger sua rentabilidade mesmo em ambientes mais desafiadores. A estratégia “phygital”, que integra canais físicos e digitais, aparece como diferencial competitivo relevante frente aos pares.
Olhando à frente, a expectativa é de retomada mais forte do crédito, especialmente com a inadimplência sob controle. O banco também deve se beneficiar da expansão do NII (margem financeira), impulsionada por spreads melhores, além de possível crescimento das receitas com serviços em um novo ciclo de crédito.
Fechando o trio, a Telefônica Brasil, a dona da marca Vivo, aparece como uma tese de dividendos sustentada por transição operacional e disciplina financeira.
Segundo a Empiricus, a companhia combina crescimento consistente nos principais segmentos, móvel, fibra e B2B, com uma virada relevante no ciclo de investimentos. Após anos de forte capex em expansão, a companhia entra agora em uma fase mais moderada, o que tende a destravar maior distribuição de dividendos.
Outro ponto central é a migração do regime de concessão para autorização, que pode gerar economias relevantes e permitir maior foco em negócios mais rentáveis, como fibra e 5G.
Mesmo após a alta recente, o valuation segue considerado atrativo. Entre os riscos, estão o aumento da concorrência e uma eventual retomada mais forte dos investimentos.
Veja o ranking das ações para buscar dividendos em abril
| Empresas | Indicações |
|---|---|
| Petrobras | 8 |
| Itaú Unibanco | 6 |
| Vivo (Telefônica Brasil) | 6 |
| Copel (CPLE6) | 6 |
| Aliansce Sonae/Allos | 6 |
| Eletrobras/Axia Energia (AXIA6) | 6 |
| Vale | 5 |
| Bradesco | 5 |
| Itaúsa | 4 |
| Caixa Seguridade | 3 |
O levantamento do Money Times levou em consideração as informações das carteiras de ações divulgadas por 14 instituições. Para abril, foram indicadas 41 ações, somando 104 recomendações.