Dividendos: BTG Pactual reestrutura carteira em busca de mais proventos em meio a ambiente desafiador
O BTG Pactual promoveu uma nova rodada de ajustes em sua carteira recomendada de dividendos para abril, com a substituição de quatro ativos e a entrada de nomes ligados a commodities, habitação popular e infraestrutura.
Deixaram o portfólio a Caixa Seguridade (CXSE3), a Direcional Engenharia (DIRR3), a PetroRio (PRIO3) e a Odontoprev (ODPV3). No lugar, passaram a compor a carteira a Vale (VALE3), a Cury (CURY3) e a Motiva (MOTV3), em um movimento que, segundo o banco, busca reforçar a exposição a empresas com maior capacidade de geração de caixa e distribuição de proventos em um ambiente ainda desafiador para a renda variável.
Sobre as entradas
A entrada da Vale reflete a avaliação de que, mesmo após a recente valorização impulsionada pelo ciclo de commodities, a companhia ainda apresenta fundamentos sólidos para sustentar pagamentos relevantes de dividendos.
O banco destaca que o patamar do minério de ferro próximo de US$ 100 por tonelada segue garantindo forte geração de caixa, ao mesmo tempo em que a diversificação para metais como cobre e níquel adiciona resiliência ao portfólio da mineradora.
No caso da Cury, a inclusão reforça a leitura positiva para o segmento de baixa renda, em meio a ajustes recentes no programa habitacional e melhora das condições de crédito.
Na visão do BTG, a companhia combina execução consistente, crescimento expressivo de resultados e capacidade de distribuir dividendos, consolidando-se como uma das principais apostas dentro do setor imobiliário.
Já a Motiva entra na carteira apoiada em uma tese mais estrutural, ligada à reestruturação de ativos e à busca por ganhos de eficiência operacional.
O banco também enxerga potencial de valorização adicional com a perspectiva de queda de juros, o que tende a beneficiar empresas de infraestrutura com fluxos de caixa de longo prazo.
Hora de dar ‘tchau’
As saídas da carteira indicam uma rotação de portfólio diante da mudança de cenário. A exclusão de nomes como Caixa Seguridade, Direcional, PetroRio e Odontoprev sugere uma busca por ativos com maior previsibilidade de geração de caixa e, consequentemente, maior capacidade de sustentar distribuições de dividendos ao longo do tempo.
Quem ficou
Apesar das alterações, a carteira segue ancorada em companhias tradicionais de pagamento de proventos, como a Petrobras (PETR4) e os grandes bancos, entre eles Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC4), além de empresas do setor elétrico e de saneamento, que historicamente oferecem maior previsibilidade de receitas.
Segundo o BTG, a estratégia permanece centrada em empresas de alta qualidade, com resultados resilientes e forte geração de caixa, capazes de entregar retornos consistentes aos acionistas mesmo em um ambiente de juros elevados e maior incerteza global.
Em termos de desempenho, a carteira de dividendos do BTG Pactual recuou 1,0% em março, desempenho inferior ao IDIV, que caiu 0,2%, e ao Ibovespa, que recuou 0,7%.
Desde o lançamento da carteira, em novembro de 2019, a estratégia acumula alta de 168,5%, superando com folga os 116,0% do IDIV e os 74,2% do Ibovespa.