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Dividendos de até 17% e novo ciclo de crescimento: o que está por trás da alta da Log (LOGG3) – e por que o CFO acha que a ação está barata

09 abr 2026, 18:00 - atualizado em 09 abr 2026, 18:21
Rafael Saliba, CFO da Log Commercial Properties (LOGG3)

A logística, por muito tempo invisível aos olhos do consumidor, ganhou protagonismo na economia, e hoje influencia diretamente preço, prazo e competitividade das empresas. Por trás de cada entrega, há uma engrenagem complexa que passa, inevitavelmente, pelos galpões logísticos.

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Esse movimento tem se refletido com força no mercado imobiliário. Segundo Rafael Saliba, CFO da Log Commercial Properties (LOGG3), a demanda por esses ativos segue aquecida, impulsionada principalmente pelo avanço do comércio eletrônico e pela busca crescente por eficiência operacional.

O executivo explica, durante a sua participação no programa Money Minds, que o e-commerce vem adicionando uma pressão estrutural que não existia antes e exige proximidade do consumidor, além de eficiência logística, o que naturalmente aumenta a demanda por galpões.

E-commerce impulsiona demanda e puxa alta dos preços

O crescimento do e-commerce no pós-pandemia consolidou uma nova dinâmica no setor. Mesmo em cenários de atividade econômica mais moderada, há uma migração contínua do varejo físico para o digital, e isso sustenta a demanda por infraestrutura logística.

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Além disso, outro fenômeno tem ganhado força: o chamado flight to quality, ou a migração de empresas para galpões mais modernos e eficientes. “Existe um estoque grande de galpões no Brasil, mas de qualidade inferior. As empresas estão migrando para ativos AAA, buscando reduzir perdas, melhorar segurança e ganhar eficiência”, explicou o executivo.

Esse movimento ajuda a explicar os níveis reduzidos de vacância. Enquanto o mercado opera com taxas entre 7% e 8%, a Log registra níveis abaixo de 1%.

Com demanda elevada e limitações na oferta, especialmente em regiões como São Paulo, onde há escassez de terrenos e competição com o setor residencial, os preços dos aluguéis dispararam. De acordo com Saliba, os valores subiram cerca de 50% desde 2021.

“Durante muitos anos, o setor ficou estagnado e até perdeu para a inflação. Esse movimento mudou completamente nos últimos anos”, disse.

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A alta abriu espaço para um processo de reprecificação dos contratos. Como os contratos têm prazo médio de quatro anos, muitas empresas ainda operam com valores defasados, o que tem gerado renegociações, sem grande resistência por parte dos clientes, segundo o CFO.

Brasil ainda tem “mar azul” e sustenta expansão da Log

Apesar do avanço recente, o Brasil ainda apresenta um déficit relevante de infraestrutura logística. O país conta com cerca de 170 milhões a 180 milhões de metros quadrados de galpões, mas apenas cerca de 40 milhões são de alto padrão.

“Quando você compara com os Estados Unidos, uma única cidade pode ter o mesmo estoque de galpões que o Brasil inteiro”, destacou.

Esse gap estrutural abre espaço para crescimento. A Log, por exemplo, prevê adicionar 2 milhões de metros quadrados de área bruta locável (ABL) até 2028, com uma capacidade anual entre 500 mil e 600 mil metros quadrados.

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Para sustentar essa expansão em um ambiente de juros elevados, a companhia aposta em uma combinação de crescimento, reciclagem de ativos e disciplina de capital.

“A gente precisa equilibrar crescimento com controle de endividamento. Para desenvolver novos projetos, necessariamente passa por reciclar ativos”, afirmou.

A estratégia também passa por uma atuação nacional, com foco em cidades acima de 1 milhão de habitantes e maior proximidade com o consumidor. Além disso, a companhia mantém preferência por projetos especulativos, desenvolvidos sem contrato prévio, por oferecerem maior rentabilidade, em detrimento do modelo built to suit.

Outro vetor importante é a ampliação da atuação em serviços. A empresa já administra cerca de 3 milhões de metros quadrados e vem expandindo essa frente como forma de gerar receita recorrente, com menor necessidade de capital.

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Dividendos elevados, valorização e riscos no radar

A combinação de demanda aquecida, reprecificação de contratos e mudanças estratégicas ajudou a impulsionar os papéis da companhia, que acumulam valorização próxima de 50% em 12 meses.

Além disso, a Log se consolidou como uma das maiores pagadoras de dividendos da bolsa, com retorno entre 15% e 17% no último ano.

Segundo o CFO, parte do mercado ainda não precificou completamente o potencial da empresa, especialmente na frente de serviços, que cresce cerca de 50% ao ano e tende a ganhar mais relevância na geração de valor.

Apesar do cenário positivo, o ambiente macroeconômico segue como principal ponto de atenção. A trajetória dos juros, impactada por fatores como o preço do petróleo e tensões geopolíticas, pode influenciar o custo de capital e o ritmo de expansão do setor.

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Ainda assim, a companhia afirma estar preparada para diferentes ciclos. “A gente está estruturando a empresa para navegar em qualquer cenário, seja com juros altos ou baixos”, disse.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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