Dólar recua e fecha a R$ 5,36 com cenário eleitoral e alívio nas tensões geopolíticas
O dólar interrompeu o ritmo de ganhos com continuidade do apetite a risco local e alívio nas tensões geopolíticas
Nesta quinta-feira (15), o dólar à vista (USDBRL) encerrou a sessão a R$ 5,3681, com queda de 0,61%.
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O movimento destoou da tendência externa. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava em alta de 0,19%, aos 99,321 pontos.
O que mexeu com o dólar hoje?
O cenário geopolítico seguiu como um dos focos de atenção dos investidores, em meio ao interesse dos Estados Unidos pela Groenlândia e às ameaças do presidente norte-americano, Donald Trump, ao Irã.
Ontem (14), Trump afirmou que os planos para as execuções de manifestantes contra o regime aiatolá, no Irã, foram suspensos, sinalizando uma menor probabilidade de ação militar direta dos EUA contra Teerã.
Já nesta quarta-feira (15), os EUA impuseram sanções a cinco autoridades iranianas acusadas de estarem por trás da repressão aos protestos.
Em um comunicado, o Departamento do Tesouro dos EUA informou que impôs sanções ao secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, bem como ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica e aos comandantes das forças policiais, acusando-os de serem os arquitetos da repressão.
Além disso, o chefe da Casa Branca também disse que não tem planos de demitir o presidente do Federal Reserve (Fed, Banco Central dos EUA), Jerome Powell, em alívio as pressões recentes.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, ainda disse que Trump deve tomar uma decisão sobre o indicado à presidência do Fed em breve.
Entre os dados, os pedidos iniciais de auxílio-desemprego caíram e, 9.000, para 198.000 em dado com ajuste sazonal, na semana encerrada em 10 de janeiro, segundo o Departamento do Trabalho norte-americano. Os economistas consultados pela Reuters previam 215.000 pedidos para a última semana.
Cenário eleitoral
No Brasil, o câmbio seguiu movimentado pelo cenário eleitoral.
O governador do Paraná, Ratinho Junior, afirmou que aceitará o “desafio” se for escolhido do seu partido, o PSD, como candidato ao Palácio do Planalto.
A declaração foi dada a jornalistas durante uma agenda oficial no Palácio Iguaçu, nessa quarta-feira (14), ao lado do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD).
“Eu penso que, mais do que nomes, é projeto, quem vai ter a capacidade de liderar um novo projeto para o Brasil. Se o meu nome for esse nome escolhido internamente, eu fico muito honrado e, obviamente, vou aceitar o desafio, mas isso é uma coisa que tem que ser construída internamente”, afirmou.
Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, disse que não “há volta atrás” da decisão de disputar a chefia do Poder Executivo.
“Não vai ter outra possibilidade de candidatura. A minha pré-candidatura é uma coisa que não tem volta, não tem página virada”, disse o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro a jornalistas em frente à Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde foi visitar o pai, que está preso.
“Não tem nada que vá fazer isso mudar e eu vou continuar fazendo minha parte para buscar essa unidade com todo mundo”, acrescentou.
Já o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), favorito do mercado à Presidência, reafirmou o apoio ao senador Flávio Bolsonaro na eleição de outubro deste ano e disse que seu projeto é reeleger-se para o comando do governo paulista.
“Mesmo com a queda superior a 4% do petróleo, reflexo da diminuição das tensões no Oriente Médio, e apesar do avanço dos juros dos Treasuries e do fortalecimento do dólar no exterior medido pelo DXY, o real se valorizou, indicando que fatores locais e o fluxo para ativos de risco prevaleceram na formação da taxa de câmbio”, avaliou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.