Dólar

Dólar sobe a R$ 5,10 após falas de Warsh e sinalização de política monetária restritiva nos EUA

17 jun 2026, 17:06 - atualizado em 17 jun 2026, 17:15
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(Imagem: iStock/eyeglb)

O dólar à vista encerrou o pregão em alta após a primeira coletiva de imprensa do novo dirigente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Kevin Warsh, e a sinalização pelo gráfico de pontos de que o colegiado prevê uma alta nos juros norte-americanos em 2026.

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Nesta quarta-feira (17), o dólar à vista terminou as negociações a R$ 5,1077, com alta de 0,41%.



O dólar destoou do desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com alta de 0,92%, aos 100,457 pontos.

O que mexeu com o dólar hoje?

As decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil ganharam destaque entre os investidores, com o gráfico de pontos e as falas do novo chair do Fed repercutindo no mercado de câmbio. Antes da decisão, o dólar operava em baixa ante o real.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) manteve os juros de referência dos Estados Unidos no intervalo de 3,50% a 3,75% ao ano, em decisão unânime, já amplamente esperada pelo mercado.

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No entanto, o gráfico que reúne as projeções individuais dos dirigentes para a trajetória dos juros, o chamado dot plot, também indicou uma postura mais dura do Fed: a mediana passou a apontar uma taxa de 3,8% ao fim de 2026, acima dos 3,4% projetados em março. Para 2027, a projeção avançou de 3,1% para 3,6%.

Diante desse cenário, oito dirigentes esperam manutenção dos juros entre 3,5% e 3,75% neste ano — ou seja, sem cortes até dezembro. Já três esperam alta de 0,25 ponto percentual e outros cinco projetam alta de 0,50 ponto percentual ainda este ano.

Além disso, o novo chair do Fed adotou um tom considerado duro ao longo da coletiva de imprensa, reforçando repetidamente que a inflação permanece acima da meta de 2% e que o BC dos EUA está determinado a restaurar sua credibilidade.

“Temos a capacidade e o compromisso de entregar nosso objetivo de estabilidade de preços de 2%. É isso que vamos fazer”, afirmou durante a coletiva de imprensa.

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Em relação ao gráfico das projeções individuais, Warsh minimizou e afirmou que os dirigentes fizeram suas estimativas “a lápis, daqueles com uma grande borracha na ponta”, numa referência à rapidez com que o cenário econômico pode mudar.

Como já sinalizado anteriormente, Warsh não ofereceu pistas dos próximos passos da política monetária norte-americana.

“Se antes desta reunião ainda restavam expectativas residuais de cortes nos juros ao longo de 2026, agora essa possibilidade é afastada definitivamente, e o Fed Watch do CME Group agora mostra cerca de 60% de chances de aumento de 25 ou 50 pontos já em outubro deste ano”, afirma a economista-chefe da Nomad, Paula Zogbi.

No front geopolítico, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar Teerã, visto que o acordo não encerra o conflito no Oriente Médio, mas seria uma pausa. Ainda assim, Trump disse que a expectativa é de que a assinatura seja concluída dentro de 48 horas.

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O site norte-americano Axios, mais cedo, havia informado a possibilidade de os EUA e o Irã anteciparem a assinatura para esta quarta-feira.

Diante da volatilidade no cenário geopolítico, os contratos mais líquidos do Brent para agosto, referência no mercado internacional, fecharam o dia com alta de 0,75%, a US$ 79,55 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.

O mercado ainda aguarda a decisão de juros brasileira do Banco Central, com previsão de que o comunicado da decisão seja divulgado por volta das 18h30 (horário de Brasília). A expectativa é de um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic.

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
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