Dólar cai mais de 1% e fecha a R$ 5,32 com recuo de Trump sobre tarifas e Groenlândia
O dólar sofreu pressão ante as moedas emergentes, entre elas, o real, com a valorização das commodities e o recuo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre novas tarifas a países europeus e ‘disputa’ pela Groenlândia.
Nesta quarta-feira (21), o dólar à vista (USDBRL) encerrou a sessão a R$ 5,208, com queda de 1,11%.
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O movimento destoou da tendência externa. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava em alta de 0,15%, aos 98.791 pontos.
O que mexeu com o dólar hoje?
O dólar despencou ante o real com o breve alívio nas tensões geopolíticas – que resultou em um maior apetite ao risco dos investidores internacionais.
No Fórum Econômico Mundial, em Davos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não usará da força para “conquistar” a Groenlândia.
“As Forças Armadas não estão sendo cogitadas. Não acho que será necessário, realmente não acho. Acho que as pessoas vão usar o bom senso e acho que isso não será necessário”, disse Trump.
Já no final da tarde, o chefe da Casa Branca voltou atrás e retirou ameaça de impor tarifas a diversas nações por sua posição em relação à Groenlândia, dizendo que acertou linhas gerais de um acordo com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) sobre o futuro da ilha.
“Com base nesse entendimento, não vou impor as tarifas que estavam programadas para entrar em vigor em 1º de fevereiro”, escreveu Trump no Truth Social após uma reunião com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, em Davos. Ele não deu detalhes sobre o acordo.
No último fim de semana, o presidente norte-americano ameaçou adicionar taxas de importação a aliados europeus que são contra a anexação da Groenlândia por parte dos EUA.
Em um post no Truth Social, Trump disse que tarifas adicionais de importação de 10% entrariam em vigor em 1º de fevereiro sobre produtos da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido – todos já sujeitos a tarifas impostas por Trump.
Essas alíquotas aumentariam para 25% em 1º de junho e continuariam até que se chegasse a um acordo para que os EUA comprassem a Groenlândia.
“A perspectiva de uma distensão nas relações entre Europa e Estados Unidos desencadeou um ambiente de risk-on, mas que acabou favorecendo o resto do mundo, em meio à elevada incerteza em torno do governo Trump e à já grande exposição global a ativos americanos”, avaliou André Valério, economista sênior do Inter
A forte valorização das commodities também favoreceu o real. “Observou-se uma rotação de fluxos para economias além dos Estados Unidos, favorecendo os mercados emergentes de forma geral. O movimento também beneficiou países produtores de commodities, que registraram forte valorização no dia, puxados especialmente pela alta expressiva do gás natural.