Dólar cai a R$ 5,28 e fecha no menor nível desde novembro
O dólar continuou enfraquecido ante moedas fortes e emergentes com o alívio nas tensões geopolíticas protagonizadas pelos Estados Unidos e a extensão do movimento de rotação global.
Nesta quinta-feira (22), o dólar à vista (USDBRL) encerrou a sessão a R$ 5,2845, com queda de 0,68%, no menor nível desde novembro.
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O movimento acompanhou a tendência externa. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava em queda de 0,40%, aos 98.364 pontos.
O que mexeu com o dólar hoje?
O dólar continuou o movimento iniciado na véspera e teve mais um dia de perdas ante o real com o breve alívio nas tensões geopolíticas – que resultou em um maior apetite ao risco dos investidores internacionais.
Ontem (21), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não usará da força para “conquistar” a Groenlândia, em discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos.
Ele também declarou, no final da tarde, que está próximo de um acordo sobre a ilha e suspendeu tarifas de 10%, que entrariam em vigor em 1º de fevereiro, sobre produtos da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido – todos já sujeitos a tarifas impostas por Trump.
Já hoje, Trump disse que o acordo com a Otan permitirá acesso total e permanente dos EUA à Groenlândia, mas sem comentar detalhes.
Os dados econômicos também movimentam o pregão. O índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês), subiu 0,2% em novembro ante outubro. Na comparação anual, a alta foi de 2,8%. Os números ficaram em linha com a expectativas do mercado.
O PCE é a medida de inflação de referência para o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA).
Já o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA teve alta anualizada de 4,4% no terceiro trimestre de 2025, de acordo com a segunda estimativa do Departamento de Comércio do país.
A primeira leitura, publicada em dezembro, após a paralisação do governo norte-americano, constou alta de 4,3% para o período – e analistas consultados pelo The Wall Street Journal previam o mesmo avanço para a segunda leitura.
Após os dados, o mercado manteve as apostas de manutenção dos juros pelo Fed, na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, na próxima decisão de política monetária, que acontece na próxima semana. A previsão de retomada do ciclo de afrouxamento monetário segue apenas a partir de junho.
Diferencial de juros
A desvalorização do dólar ante o real ainda é reflexo da rotação global – com a saída de dólares dos mercados norte-americanos, em meio a tensões geopolíticas protagonizadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump –, também conhecido como “Sell America“.
O movimento favorece os mercados emergentes, como o Brasil, dado o diferencial de juros. A taxa de juros nos EUA está na faixa de 3,50% a 3,75%, enquanto a taxa Selic está em 15% ao ano no Brasil.
“O Brasil permanece como uma das moedas com maior carry trade entre os emergentes, fator que, combinado a um ambiente global construtivo para risco, segue favorecendo a valorização do real frente ao dólar esse ano”, afirmou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.