Dólar tem leve alta com ajustes e fecha a R$ 5,28
Com ajustes, o dólar teve um breve fôlego ante o real, depois de atingir o menor nível desde novembro na sessão anterior. Os ganhos foram limitados pela forte valorização das commodities e rumores de intervenção cambial no Japão.
Nesta sexta-feira (23), o dólar à vista (USDBRL) encerrou a sessão a R$ 5,2862, com alta de 0,03%.
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O movimento acompanhou a tendência externa. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava em queda de 0,78%, aos 97.576 pontos.
Na semana, o dólar recuou 1,61% ante o real.
O que mexeu com o dólar hoje?
O dólar manteve-se pressionado ante as moedas globais com o alívio nas tensões geopolíticas.
Ontem (22), o presidente Donald Trump disse os Estados Unidos vão trabalhar com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na segurança da Groenlândia.
“Todos vamos trabalhar juntos. Vamos fazer isso em conjunto com a Otan, que é realmente como deve ser”, disse Trump a repórteres a bordo do Air Force One.
Na véspera, o chefe da Casa Branca declarou que o acordo com a Otan permitirá acesso total e permanente dos EUA à Groenlândia, mas sem comentar detalhes.
As declarações foram feitas após Trump dizer que não usará da força para “conquistar” a Groenlândia, em discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos.
Ele também suspendeu tarifas de 10%, que entrariam em vigor em 1º de fevereiro, sobre produtos da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido – todos já sujeitos a tarifas impostas por Trump –, com as negociações de um acordo sobre ilha do Ártico.
O dólar também reagiu a especulações de que o Banco do Japão poderá intervir no mercado cambial.
Nesta sexta-feira, a ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, disse que está observando atentamente o mercado de câmbio, mas se recusou a comentar sobre as especulações entre os operadores de que as autoridades haviam verificado as taxas de câmbio com os bancos – um prelúdio para uma possível intervenção.
Ante o real, o dólar teve leve alta, em dia de ajustese ruídos doméstico, como os desdobramentos do Caso Master.
O fortalecimento da divisa norte-americana ante a moeda brasileira foi limitado pela valorização das commodities – o petróleo Brent, por exemplo, subiu quase 3% – e ao forte fluxo de entrada de capital estrangeiro na bolsa brasileira com a rotação global, que tem impulsionado os mercados emergentes nos últimos dias diante das incertezas geopolíticas “causadas” por Trump.
De acordo com dados da B3, a rotação global de portfólios do investidor estrangeiro garantiu a entrada de R$ 12,3 bilhões na bolsa brasileira em janeiro deste ano, até a última quarta-feira (21). Esse volume já representa quase metade dos R$ 25,4 bilhões aportados em 2025.