Dólar fecha estável a R$ 5,20 após Fed manter juros inalterados nos EUA e à espera de Copom
O dólar iniciou a “Super Quarta” em queda, mas ganhou fôlego ante moedas globais.
Nesta quarta-feira (28), o dólar à vista (USDBRL) encerrou a sessão estável a R$ 5,2066, ainda no menor nível desde maio de 2024. Durante a sessão, a moeda chegou a ser cotada abaixo de R$ 5,20.
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No exterior, o dólar encerrou em alta. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com avanço de 0,32%, aos 96.530 pontos.
O que mexeu com o dólar hoje?
A política monetária ditou o desempenho do dólar nesta quarta-feira (28). Nos Estados Unidos, o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed) manteve os juros inalterados, na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, como o esperado, e interrompeu o ciclo de cortes iniciado em setembro do ano passado.
Mais uma vez, a decisão não foi unânime: os diretores Stephen Miran – indicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, – e Christopher Waller – um dos cotados a substituir Jerome Powell –, votaram pelo corte de 0,25 ponto percentual na taxa referencial.
Na avaliação de André Valério, economista sênior do Inter,o voto de Waller chamou atenção. “Especulava-se que ele pudesse divergir nessa reunião justamente como uma sinalização ao governo Trump”.
No comunicado da decisão, o Fomc destacou que as incertezas com a economia norte-americana seguem elevadas.
De um lado, os indicadores econômicos disponíveis sugerem que a atividade tem se expandido em ritmo sólido. Do outro, o aumento de empregos permaneceu baixo, com alguns sinais de estabilização da taxa de desemprego – que ficou em 4,4% em dezembro. Já a inflação permanece um pouco elevada.
“O Comitê busca alcançar o máximo de emprego e inflação na taxa de 2% ao longo do prazo. A incerteza sobre as perspectivas econômicas permanece elevada. O Comitê está atento aos riscos para ambos os lados de seu duplo mandato”, disse o comunicado.
Durante a coletiva de imprensa, o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que a inflação em dezembro provavelmente ainda estava bem acima da meta de 2% do BC.
Segundo ele, o núcleo da inflação – que exclui preços de combustíveis e alimentos – ficou acima de 3% no último mês de 2025, destacando que “essas leituras elevadas refletem em grande parte a inflação no setor de bens, que foi impulsionada pelos efeitos das tarifas. Em contrapartida, a desinflação parece continuar no setor de serviços”.
O presidente do BC, que deixa o cargo em maio, ainda afirmou que os efeitos da paralisação da máquina pública dos EUA (shutdown) – que durou 43 dias no ano passado, sendo o maior da história do país – devem ser revertidos neste trimestre.
Para o Inter, o Fed deve retomar o ritmo de cortes nos juros na próxima decisão de política monetária. “Mantida a tendência atual do mercado de trabalho, esperamos que o Comitê volte a cortar [os juros] na reunião de março, tendo em vista o baixo dinamismo na geração de emprego e uma estabilização da taxa de desemprego em patamar elevado”, avaliou Valério.
“Para o restante do ano, a dinâmica da política monetária americana será altamente dependente de quem será escolhido para substituir Powell”, acrescentou.
Por aqui, o mercado espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central mantenha a Selic inalterada em 15% ao ano, mas com alguma indicação de início de um afrouxamento monetário em março. A decisão será divulgada após o fechamento dos mercados.