Dólar

Dólar tem novo recuo de olho em corte na Selic e fecha a R$ 5,19, ainda no menor nível em quase 2 anos

29 jan 2026, 17:03 - atualizado em 29 jan 2026, 17:21
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(Imagem: iStock/eyeglb)

O dólar operou instável durante a sessão com a deterioração do sentimento de risco em Wall Street, mas a sinalização de uma flexibilização monetária no Brasil em março se sobrepôs e a divisa manteve a tendência de queda. 

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Nesta quinta-feira (29), o dólar à vista (USDBRL) encerrou a sessão a R$ 5,1936, com queda de 0,25%, ainda no menor nível desde maio de 2024.



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No exterior, o dólar encerrou em queda. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com recuo de 0,16%, aos 96.282 pontos.

O que mexeu com o dólar hoje?

Depois da Super Quarta, o mercado seguiu repercutindo as decisões de política monetária.

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Nos Estados Unidos, o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed) manteve os juros inalterados, na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, como o esperado, e interrompeu o ciclo de cortes iniciado em setembro do ano passado.

Mais uma vez, a decisão não foi unânime: os diretores Stephen Miran – indicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump – e Christopher Waller, um dos cotados a substituir Jerome Powell, votaram pelo corte de 0,25 ponto percentual na taxa referencial.

Hoje (29), Trump voltou a pressionar o Fed por juros mais baixos.

Ele também afirmou que vai anunciar o próximo presidente do BC, que vai substituir Jerome Powell, na próxima semana. De acordo com a plataforma Polymarket, o mercado aposta na indicação de Rick Rieder, chefe de investimentos da BlackRock, para o cargo, com 38% de chance.

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Por aqui, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 15% ao anono maior nível da taxa básica de juros desde meados de 2006Essa foi a quinta manutenção consecutiva e em linha com o esperado pelo mercado. A decisão foi unânime. 

O Comitê surpreendeu e sinalizou a possibilidade de um corte nos juros em março, marcando o início do afrouxamento monetário.

“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.”

O colegiado destacou que a magnitude e o ritmo de cortes dependerão da “evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária”.

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A sinalização de um início de afrouxamento monetário refletiu no aumento das apostas de um corte de 0,50 ponto percentual, levando a Selic para 14,50% em março, na curva de juros futuros brasileira. 

“Embora tenha preservado um tom cauteloso quanto ao ritmo — o movimento inicial pode ser de 25 pontos-base, e não de 50 —, a mensagem foi bem recebida pelo mercado”, afirmou o analista da Empiricus Research, Matheus Spiess. “No fim das contas, o mais relevante é a confirmação de que o ciclo de afrouxamento monetário está prestes a começar.”

Além dos juros

A expectativa para o corte de juros no Brasil ainda neste primeiro trimestre não foi o único fator a favorecer o real ante o dólar.

A forte valorização das commodities deu suporte adicional a moeda brasileira, já que o Brasil é um país exportador. O contrato mais negociado do petróleo Brent, para abril, encerrou as negociações com alta de 3,29%, a US$ 69,59 o barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.

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Por aqui, o mercado também repercutiu dados econômicos. Entre eles, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, mostrou que o Brasil fechou 618.164 vagas formais de trabalho em dezembro, o pior resultado para o mês desde 2020.

Em 2025, o saldo foi positivo, com a abertura de 1.279.498 vagas. O número representa uma queda de aproximadamente 24% em relação a 2024, que registrou abertura de 1.677.575 vagas, e foi também o pior desde 2020 – ano de pandemia –, que teve saldo negativo de 189.393 postos de trabalho.

Os resultados também vieram piores do que o esperado pelo mercado. “A criação de empregos formais em dezembro foi muito decepcionante”, avaliou o economista da XP, Rodolfo Margato. 

“Ainda assim, há algumas ressalvas relevantes. Desde a pandemia, observamos mudanças nos fatores sazonais, com dados cada vez mais fracos em dezembro — o que sugere a possibilidade de compensação em janeiro (resultado mais forte). Além disso, os feriados de Natal e Ano Novo no meio da semana podem ter influenciado negativamente o resultado agregado no fim do ano passado, assim como um número possivelmente maior de declarações entregues após o prazo original”, acrescentou.

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Margato ainda destacou que o cenário de taxa de desemprego historicamente baixa e salários em alta permanece. Para o economista, a demanda doméstica deve continuar robusta ao longo deste ano, em linha com impulsos de renda e crédito.

Além disso, a escassez de mão de obra — refletida na queda da taxa de participação — seguirá pressionando o mercado de trabalho. 

O cenário eleitoral também movimentou a sessão. A pesquisa do instituto Paraná Pesquisas indicou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera os cenários testados de primeiro turno para a Presidência da República, mas empata tecnicamente com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em eventuais disputas de segundo turno.

O levantamento ouviu 2.080 eleitores em 160 municípios dos 26 Estados e do Distrito Federal. A pesquisa tem nível de confiança de 95% e margem de erro de 2,2 pontos porcentuais. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08254/2026.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
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