Dólar

Dólar segue em forte alta com conflito no Irã e fecha a R$ 5,26

03 mar 2026, 17:03 - atualizado em 03 mar 2026, 17:20
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(Imagem: REUTERS/Dado Ruvic)

O dólar, considerado um dos principais ativos de proteção a risco, ganhou força ante as principais moedas globais e emergentes. 

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Nesta terça-feira (3), o dólar à vista (USDBRL) encerrou a sessão a R$ 5,2652, com alta de 1,92%. Na máxima intradia, a divisa atingiu R$ 5,3441 (+3,45%). 



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O movimento acompanhou o desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com alta de 0,62%, aos 98,997 pontos.

O que mexeu com o dólar hoje?

As tensões geopolíticas continuaram a ditar o movimento do câmbio.

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Hoje, o presidente norte-americano Donald Trump disse que ordenou às forças dos Estados Unidos que se juntassem ao ataque de Israel contra o Irã por acreditar que o país persa estava prestes a atacar os EUA.

“Eu posso ter forçado a mão deles (de Israel)”, disse Trump a repórteres no Salão Oval, durante uma reunião com o chanceler alemão, Friedrich Merz. “Estávamos negociando com esses lunáticos, e minha opinião era que eles iriam atacar primeiro. Se não fizéssemos isso, eles iriam atacar primeiro. Eu sentia isso muito fortemente.”

No último sábado (28), os Estados Unidos em conjunto com Israel atacaram o Irã, com a confirmação da morte do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, e o fechamento do Estreito de Ormuz, controlado pelo país persa – sendo uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo.

Em reação, o petróleo Brent acumula valorização de mais de 15% nos últimos dois pregões.

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A escalada das tensões acendeu também um alerta sobre a política monetária norte-americana. O presidente da unidade do Federal Reserve (Fed) de Minneapolis, Neel Kashkari, afirmou que o conflito com o Irã aumentou a incerteza sobre as perspectivas e tornou mais difícil saber o que está por vir.

Quando se trata das perspectivas, “eu tinha muita confiança até alguns dias atrás”, disse Kashkari em um evento realizado pela Bloomberg em Nova York. Tendo tido a expectativa de um corte nas taxas este ano, agora “eu só preciso ver” como os dados reagem à guerra para saber o que precisa acontecer, disse ele.

Já o presidente da unidade do Fed de Nova York, John Williams, disse que é “muito cedo” para avaliar o impacto do conflito do Irã sobre a inflação dos EUA.

“A transmissão ocorre realmente por meio de alguns desses preços de ativos e reações do mercado financeiro, que até agora têm sido razoavelmente moderados”, disse Williams a repórteres após discursar em uma conferência organizada pela America’s Credit Unions em Washington.

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“Ninguém pode ter certeza de quanto tempo isso vai durar ou quais serão as implicações mais amplas. A experiência passada mostrou que os movimentos nos preços do petróleo que vimos até agora não alteram fundamentalmente a economia, mas vamos esperar para ver.”

Na avaliação da Nomad, a escalada das tensões no Oriente Médio e o risco de interrupção no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz reacenderam temores inflacionários globais e colocaram os investidores em modo defensivo.

“A alta expressiva do petróleo e o salto da volatilidade reforçaram a busca por proteção, levando à redução de posições em ativos de risco e ao fortalecimento do dólar, em um típico movimento de ‘flight to quality'”, afirmou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

Em segundo plano

No cenário doméstico, os investidores repercutiram novos dados macroeconômicos. O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,1% no quarto trimestre de 2025 (4T25). O crescimento econômico acumulado em um ano, por sua vez, foi de 2,3% frente aos quatro trimestres imediatamente anteriores, em linha com o esperado.

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Segundo a mediana das projeções do Broadcast, a expectativa era de um crescimento de 0,1% no quarto trimestre e de 2,3% no ano.

Na avaliação de Rodolfo Margato, economista da XP, o crescimento do PIB veio de setores menos sensíveis ao ciclo econômico: agropecuária – que registrou expansão acima do esperado contra a expectativa de queda – e a indústria extrativa, que também seguiu em crescimento ascendente, na leitura dele.

“Esses dois setores tiveram papel protagonista no crescimento do PIB em 2025. Sem o setor agropecuário e da indústria extrativista, a expansão total da economia no ano passado teria sido menor, de 1,3%”, afirmou.

Já o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrou a criação de 112.334 vagas formais de trabalho em janeiro, acima do esperado pelos economistas. Segundo a Reuters, a expectativa era de criação de 92 mil postos de trabalho com carteira assinada no mês.

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“O emprego formal segue em trajetória de alta, embora com perda de fôlego. O ritmo médio de criação de vagas desacelerou de cerca de 135 mil, no primeiro semestre, para 80 mil, no segundo semestre de 2025, refletindo o arrefecimento da atividade doméstica”, avaliou Margato.

*Com informações de Reuters

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
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