Dólar recua e fecha a R$ 5,40 com pressão das commodities após a intervenção dos EUA na Venezuela
O dólar iniciou a semana repercutindo a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que depôs o presidente Nicolás Maduro. A expectativas por dados de inflação no Brasil também ficaram no radar.
Nesta segunda-feira (5), o dólar à vista (USDBRL) encerrou a sessão a R$ 5,4055, queda de 0,37%.
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O movimento acompanhou a tendência externa. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, caía 0,16%, aos 98.265 pontos.
O que mexeu com o dólar hoje?
O câmbio foi pressionado pela forte valorização das commodities em meio a precificação de eventuais impactos da intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela .
No último sábado (3), o governo Trump capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores. O chefe da Casa Branca afirmou que os EUA permanecerão e “comandarão o país” até que uma transição política ocorra no país.
Ele também confirmou o interesse no petróleo venezuelano e afirmou que as companhias norte-americanas estão “preparadas para entrar no país e investir para restaurar a produção”. A Venezuela detém 17% das reservas mundiais do óleo bruto, as maiores do mundo.
Já nesta segunda, Maduro se declarou inocente das acusações de narcoterrorismo no tribunal federal de Nova York.
“Eu sou inocente. Não sou culpado. Sou um homem decente. Ainda sou presidente do meu país”, disse Maduro por meio de um intérprete, antes de ser interrompido pelo juiz distrital norte-americano Alvin Hellerstein.
A esposa de Maduro, Cília Flores, também se declarou inocente. A próxima data sobre o caso no tribunal foi marcada para 17 de março.
Para o Citi, o impacto amplo da questão EUA-Venezuela tende a ser curto e que o “ruído” é passageiro.
“Nosso cenário-base assume uma ação militar limitada e com alvos específicos, sem um conflito regional ou prolongado. As tensões geopolíticas podem causar saídas táticas de capital do mercado de ações da América Latina, mas esperamos que sejam de curta duração, sem alterações em nossa tese estrutural para ações”, afirmaram os analistas do banco em relatório.
Mas o dólar firmou queda após dados de atividade industrial nos EUA. O índice de atividade industrial (PMI) caiu para 47,9 em dezembro, ante 48,2 em novembro, de acordo com a pesquisa do Instituto para Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês).
“Esse dado enfraqueceu o índice DXY globalmente, permitindo que o real acompanhasse a queda do dólar no exterior”, afirmou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
No cenário doméstico, os investidores acompanham o primeiro Boletim Focus de 2026. Os economistas ouvidos pelo Banco Central (BC) elevaram ligeiramente a projeção para a inflação de 2026, de 4,05% para 4,06%.
Já a previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2025 recuou, caindo de 4,32% para 4,31%. Os dados do IPCA de dezembro e acumulado do ano passado serão divulgados na sexta-feira (9).
No caso da Selic, a expectativa para este ano segue em 12,25%.
*Com informações de Reuters