Dólar

Dólar cai a R$ 5,36 com IPCA e acumula baixa de mais de 1% na semana

09 jan 2026, 17:08 - atualizado em 09 jan 2026, 17:23
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(Imagem: Nelson_A_Ishikawa/Getty Images)

O dólar encerrou a semana em duplo tom negativo com sessão agitada por dados econômicos e tensões geopolíticas.

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Nesta sexta-feira (9), o dólar à vista (USDBRL) encerrou a sessão a R$ 5,3658, queda de 0,43%. 



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O movimento foi na contramão da tendência externa. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, subia 0,20%, aos 99,136  pontos.

Na semana, a divisa acumulou queda de 1,10% ante o real. 

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O que mexeu com o dólar hoje?

O mercado de câmbio repercutiu dados econômicos do Brasil e dos Estados Unidos.

Por aqui, os investidores reagiram à inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) voltou a acelerar no mês de dezembro, mas fechou o ano de 2025 dentro do intervalo de tolerância da meta perseguida pelo Banco Central (BC).

inflação oficial do Brasil subiu 0,33% em dezembro do ano passado, após alta de 0,18% em novembro, e em linha com a expectativa do mercado.

Apesar da aceleração, o IPCA fechou 2025 em 4,26%, cumprindo com a meta do BC — de 3% com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

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A variação acumulada em 12 meses até dezembro é a menor registrada pela inflação brasileira desde 2018, quando ficou em 3,75%.

O resultado, porém, não alterou a perspectiva do mercado sobre a trajetória da Selic, com aposta majoritária de início de afrouxamento monetário em março.

“Apesar desse alívio, o cenário ainda é desafiador: os preços de serviços subiram 6% em 2025, sustentados pelo mercado de trabalho bastante aquecido. A tendência é que o controle da inflação continue sendo uma tarefa difícil nos próximos meses, uma vez que o desemprego deve permanecer em níveis historicamente baixos até 2027”, avaliou economista do C6 Bank, Heliezer Jacob. 

Na mesma linha, o economista da XP, Alexandre Maluf, considera que os “resultados são consistentes com o quadro de mercado de trabalho aquecido, evidenciado pelos dados do CAGED e da PNAD Contínua”.

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Nos Estados Unidos, o relatório oficial de empregos, o payroll, apontou a criação de 50 mil vagas de emprego em dezembro do ano passado, segundo dados do o Departamento do Trabalho do país. O número veio abaixo do esperado.

“O payroll abaixo da expectativa do mercado e o IPCA em linha com o consenso abriram espaço para um dólar mais fraco ao longo do dia, embora sem muita convicção estrutural”, avaliou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

“O dólar vem operando em intervalo estreito e em um movimento de consolidação técnica, visto a ausência de dados econômicos – tanto aqui como no exterior – que sustente uma tendência mais clara nesse começo de ano”, acrescentou.

O acordo entre União Europeia e Mercosul também concentrou as atenções. Após mais de 25 anos de negociações, a UE aprovou o acordo, abrindo caminho para a criação da maior zona de livre comércio do mundo, com várias cláusulas destinadas a acalmar a oposição dos agricultores europeus.

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Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Argentina, o Mercosul assinará o acordo comercial com a União Europeia em 17 de janeiro no Paraguai.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, disse que o governo espera que o acordo entre em vigor ainda em 2026, após aprovação final das partes envolvidas.

Em entrevista a jornalistas, Alckmin afirmou que a assinatura fortalece o multilateralismo e o comércio, além de ampliar o potencial de investimentos entre os dois blocos.

Tensões geopolíticas

O dólar à vista também perdeu força ante o real com a forte valorização das commodities. O contrato mais líquido do petróleo Brent, para março, encerrou as negociações com salto de 2,28%, a US$ 63,34 o barril, a Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, em meio a tensões geopolíticas.

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Ontem (8), o presidente norte-americano, Donald Trump, voltou a defender um aumento de 50% nos gastos militares, visando um orçamento de US$ 1,5 trilhão em 2027.

O chefe da Casa Branca também tem intensificado os apelos para que a Groenlândia fique sob o controle de Washington e está considerando várias opções para que isso aconteça — incluindo ação militar. Hoje, ele destacou que a posse da Groenlândia é “psicologicamente importante” para ele, mas descartou tensões com europeus, já que, segundo ele, “sempre se dará bem com a Europa”.

Além disso, Trump disse que cancelou uma segunda onda de ataques à Venezuela esperada anteriormente após a cooperação do país sul-americano. Segundo ele, os EUA e a Venezuela estão trabalhando “bem” juntos, acrescentando que pelo menos US$ 100 bilhões serão investidos pelas “grandes empresas de petróleo” na Venezuela.

*Com informações de Reuters

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
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