Dólar cai e fecha a R$ 5,06 no menor nível desde 2024
O dólar à vista teve um dia de fortes perdas com expectativa de negociações entre Israel e Líbano e avanço nas tratativas de cessar-fogo entre Estados Unidos e o Irã.
Nesta quinta-feira (9), o dólar à vista (USDBRL) terminou as negociações a R$ 5,0634, com queda de 0,77%, no menor nível desde 9 de abril de 2024. Na data, a divisa atingiu R$ 5,0067.
O movimento acompanhou o desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com queda de 0,34%, aos 98,797 pontos.
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O que mexeu com o dólar hoje?
O mercado de câmbio continuou a acompanhar desdobramentos do cessar-fogo no Oriente Médio.
Após ataques de Israel ao Líbano, que levantou dúvidas sobre a durabilidade do cessar-fogo firmado entre os Estados Unidos e o Irã na noite da última terça-feira (7), o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o país busca “iniciar negociações diretas com o Líbano o mais breve possível”, em comunicado.
Segundo NBC News, na véspera, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu que Netanyahu reduzisse a intensidade dos ataques para ajudar a garantir o sucesso das negociações com o Irã.
O chefe da Casa Branca confirmou a ligação em entrevista por telefone à emissora. “Falei com Bibi [Netanyahu], e ele vai manter um perfil discreto. Acho que precisamos ser um pouco mais discretos”, disse Trump.
Os líderes do Irã “falam de maneira muito diferente quando você está em uma reunião do que quando falam à imprensa. Eles são muito mais razoáveis”, acrescentou Trump. “Eles estão concordando com tudo o que precisam concordar. Lembrem-se: eles foram derrotados. Não têm forças militares”, concluiu.
A expectativa é de que as conversas entre Israel e o Líbano tenham início na próxima semana, nos EUA. Além disso, representantes dos EUA e do Irã devem se encontrar no sábado (11) em Islamabad, capital do Paquistão, para buscar um acordo de paz definitivo na região.
No final da tarde, o líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei, declarou em um pronunciamento na TV estatal iraniana que o país persa levará a gestão do estratégico Estreito de Ormuz a uma nova fase.
“O Irã não está buscando a guerra, mas não abrirá mão de seus direitos e considera todas as frentes de resistência como uma entidade unificada”, acrescentou Khamenei.
O Estreito de Ormuz ainda não foi reaberto integralmente. À mediadores, o Irã informou que limitará o número de navios para cerca de 12 por dias e cobrará pedágios. Ontem, apenas cinco navios passaram pela via navegável, de acordo com a S&P Market Intelligence.
Além disso, o real foi beneficiado com a retomada da valorização do petróleo no mercado internacional, uma vez que a alta da commodity tende a favorecer países exportadores como o Brasil.
O contrato futuro Brent, referência para o mercado global, para junho encerrou o dia com ganho de 1,23%, a US$ 95,92 o barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Em segundo plano
Em segundo plano, os investidores reagiram a novos dados econômicos dos Estados Unidos.
O Bureau of Economic Analysis (BEA) informou que Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) dos Estados Unidos subiu 0,4% em fevereiro, em linha com o esperado.
Já o núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, aumentou 0,4%. No comparativo anual, o índice subiu 2,8% e o núcleo 3% — acima da meta de 2% perseguida pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano.
Na avaliação da Nomad, o dado não mostrou “grandes variações” dos preços dos combustíveis por ser anterior ao início do conflito no Oriente Médio. Por isso, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês), que será divulgado amanhã (10), tratá os números de março e tende a capturar o efeito inflacionário do Estreito de Ormuz.
Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, afirma que, mesmo anterior à guerra, o PCE já mostra que a inflação norte-americana segue “bem acima” da meta do Fed, de 2%, sem qualquer choque nos combustíveis.
Além disso, o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA foi revisado para baixo e cresceu a uma taxa anualizada de 0,5% no quarto trimestre de 2025, de acordo com a estimativa final do Departamento de Comércio do país. Os analistas ouvidos pelo The Wall Street Journal previam alta de 0,7% no período.
*Com informações de Estadão Conteúdo e Reuters