Dólar

Dólar atinge R$ 5 pela 1ª vez em dois anos: o que está por trás da queda, segundo a Avenue

10 abr 2026, 14:54 - atualizado em 10 abr 2026, 14:54
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(Imagem: Pexels)

O dólar à vista manteve a trajetória de fortes perdas ante o real e atingiu R$ 5,00 pela primeira vez desde 2024 nesta sexta-feira (10).

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Na mínima intradia, o dólar à vista (USDBRL) atingiu R$ 5,0076 (-1,10%), no menor nível desde 9 de abril de 2024. Na data, a divisa atingiu R$ 5,0067.



O movimento acompanha o desempenho da moeda no exterior. O DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, opera no nível dos 98 pontos – depois de superar os 100 pontos na última terça-feira (7).

Desde janeiro, o dólar acumula queda de cerca de 8% ante o real.

Os motivos por trás da queda do dólar

Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, há pelos menos três fatores que contribuem para a desvalorização recente do dólar ante o real: a saída de capital dos Estados Unidos, as tensões geopolíticas e diferencial de juros no Brasil.

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Segundo o estrategista-chefe, o enfraquecimento do dólar, em primeiro, deve-se às políticas adotadas pelo governo Trump – que causam instabilidade nos mercados como o ‘tarifaço’ a países parceiros comerciais.

“Havia um valuation relativamente esticado [nos mercados] nos Estados Unidos e investidores, alocadores optam por começar a reduzir sua exposição aos Estados Unidos, mas que ainda é majoritária em portfólios. Essa redução, por exemplo, é de 65% para 60% de exposição aos EUA . E, com esse movimento, o dinheiro fluiu para a Europa, Japão e também para o Brasil”, disse Alves, em nota.

EUA - Will Castro Avenue
Estrategista-chefe da Avenue, Willian Castro Alves (Imagem: Reprodução/Avenue)

A geopolítica também tem favorecido o real ante o dólar. Entre os países emergentes, o Brasil “tem se saído relativamente bem” em reação aos demais pares, como os países do Sudeste Asiático, por exemplo.

“O Brasil é um país que, por ser produtor de petróleo, tende a ter o bônus de um preço de petróleo mais elevado sob o ponto de vista de atividade e balança comercial e não tanto o ônus do impacto na inflação, seja porque a Petrobras não repassa [nos preços] seja porque o impacto neutro é menor do que em outras economias”, explica o estrategista-da Avenue.

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Além disso, William Castro Alves considera que a taxa de juros brasileira segue “atrativa”. A Selic está em 14,25% ao ano, enquanto nos EUA os juros estão na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.

“Uma taxa elevada acaba atraindo capital estrangeiro com uma parte de alocação”, destaca.

Ele, porém, considera que as eleições em outubro e o cenário fiscal continuam como um risco de alta para o dólar no curto prazo.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
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