Dólar cai a R$ 5,17 após decisão da Suprema Corte dos EUA, e acumula baixa de 1% na semana
O dólar fechou em queda nesta sexta-feira (20), acompanhando o movimento global de busca por ativos de maior risco após decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou tarifas comerciais impostas pelo presidente Donald Trump.
A moeda norte-americana contra o real encerrou o dia cotada a R$ 5,1766, com recuo de 0,99%. O DXY, que mede o desempenho da moeda dos EUA frente a uma cesta de seis divisas fortes, marcava 97,80 pontos às 17h07, com queda de 0,04%.
Na semana encurtada pelo Carnaval, a moeda norte-americana acumulou baixa de 1,03% e, no ano, queda de 5,69%.
Às 17h06, o dólar futuro para março — atualmente o mais líquido no Brasil — cedia 0,77% na B3, aos R$5,1840.
A decisão da Justiça norte-americana foi anunciada no fim da manhã. O tribunal entendeu que a interpretação da norma para permitir a imposição de tarifas comerciais extrapola as atribuições do Executivo e invade competências do Congresso, violando a chamada doutrina das “questões principais”, que exige autorização clara do Legislativo para medidas de ampla relevância econômica e política.
A reação foi imediata nos mercados globais. No Brasil, além da queda do dólar, as taxas dos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) recuaram ao longo da curva. A taxa do DI para janeiro de 2028 fechou em 12,54%, queda de 7 pontos-base ante 12,613% no ajuste anterior. Já o DI para janeiro de 2035 marcou 13,38%, com recuo de 6 pontos-base frente a 13,443%.
Nos Estados Unidos, o movimento foi diferente. Os rendimentos dos Treasuries avançaram, com investidores reduzindo posições em títulos públicos. Às 16h35, o Treasury de dez anos — referência global para decisões de investimento — subia 1 ponto-base, a 4,086%.
Durante a tarde, Trump criticou a decisão da Suprema Corte e afirmou que dispõe de mecanismos alternativos para impor tarifas, anunciando que pretende assinar uma ordem para estabelecer uma tarifa global de 10%, com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, além de iniciar novas investigações comerciais.
Segundo Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, as tarifas haviam sido apresentadas politicamente como uma possível fonte de arrecadação para reduzir o déficit fiscal dos Estados Unidos. A derrubada da maior parte dessas medidas, afirmou, elimina essa fonte potencial de consolidação fiscal no longo prazo, o que pode pressionar os juros mais longos no mercado norte-americano.
No fim da tarde, os contratos futuros de juros nos EUA indicavam probabilidade de 46,2% de manutenção da taxa básica pelo Federal Reserve na reunião de junho, ante 45,6% de chance de corte de 25 pontos-base. Na véspera, as probabilidades eram de 41,4% para manutenção e 48,1% para redução.
*Com informações da Reuters