Câmbio

Vitória de Flávio Bolsonaro pode levar real a novo salto, mas fôlego depende do Congresso, diz Commerzbank

20 out 2026, 13:31
dólar real dxy câmbio
Real valorizou-se em relação ao dólar depois do primeiro turno das eleições presidenciais. (Imagem: Nelson_A_Ishikawa/Getty Images)

O Commerzbank avalia que uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o próximo domingo (25), tende a provocar nova valorização do real, ao menos no curto prazo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O analista Norman Liebke afirma que o resultado deve ser acompanhado de perto pelo mercado, já que representaria uma mudança em relação às políticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“A duração dessa euforia com o real vai depender, em última análise e em grande medida, de quais medidas fiscais Flávio Bolsonaro vai anunciar e, sobretudo, do que ele realmente será capaz de implementar”, diz Liebke.

Real já reagiu ao primeiro turno

Após o primeiro turno, em que Flávio Bolsonaro teve 47% dos votos e Lula, 45%, o dólar recuou de cerca de R$ 5,20 para perto de R$ 5,00, uma valorização de cerca de 4% do real.

Segundo o banco, a moeda brasileira perdeu parte desse ganho desde então, mas segue bem abaixo do nível anterior à votação.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

As pesquisas mais recentes mostram disputa apertada. Uma delas, feita entre 16 e 18 de outubro, indica empate técnico. Outras, realizadas até o dia 16, ainda apontavam vantagem de Flávio Bolsonaro.

O Commerzbank cita a aprovação, no Senado, da redução da jornada semanal de 44 para 40 horas como um possível trunfo de Lula, mas diz que o episódio não parece ter alterado de forma significativa o quadro geral.

Agenda fiscal é o principal fator

Para o banco, o fôlego do real dependerá de quais medidas fiscais Flávio Bolsonaro, se eleito, vai anunciar e, sobretudo, de quais conseguir vai aprovar.

Ele prometeu maior consolidação fiscal e política econômica mais pró-mercado para conter uma dívida bruta próxima de 83% do Produto Interno Bruto (PIB).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Com o déficit fiscal perto de 10% do PIB e despesas elevadas com juros, o Commerzbank ressalta que reduzir o rombo rapidamente será um desafio.

O Congresso é outro limitador. O PL ampliou sua bancada em ambas as casas: no Senado, passou de 18,5% para 35,8% das cadeiras; na Câmara, de 19,3% para 23,6%. Outras legendas conservadoras também cresceram. Mesmo assim, o partido está longe da maioria própria e dependeria de alianças, inclusive para aprovar leis e indicar presidentes do Banco Central.

O Commerzbank vê um ambiente político mais favorável do que o enfrentado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, mas não livre de restrições.

Por isso, o banco alerta para o risco de o otimismo cambial se esgotar. “Há considerável potencial de reversão”, diz o analista, caso a oposição parlamentar permita implementar o plano só em parte ou nem isso.

Aproximação com os EUA corta dos dois lados

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A política externa também pesa. O banco vê a relação próxima de Flávio Bolsonaro com Washington como uma “faca de dois gumes”. De um lado, a aproximação poderia acelerar o fim da disputa comercial com os EUA.

Um grupo de trabalho bilateral criado ainda no governo Lula já negocia tarifas e um acordo comercial mais amplo, com foco no acesso americano aos minerais críticos brasileiros, para reduzir a dependência da China.

Investidores norte-americanos ainda poderiam enxergar um presidente pró-mercado como risco menor, o que também ajudaria o real.

De outro lado, o alinhamento com os EUA pode deteriorar as relações com a China, maior parceiro comercial do Brasil, e com os demais países do Brics.

E se Lula vencer?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O Commerzbank afirma que Lula enfrentaria dificuldades ainda maiores com um Congresso mais conservador.

O presidente que tenta o quarto mandato prometeu superávit primário de 0,13% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027, chegando a 1,5% nos quatro anos seguintes.

Para o banco, porém, a dívida subiu quase 10 pontos percentuais do PIB no atual mandato, e Lula só deu atenção à responsabilidade fiscal após pressão do mercado.

A avaliação é que a dívida continue em alta no início de um eventual novo mandato, o que geraria “entusiasmo limitado” entre investidores.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.
Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar