Dólar despenca mais de 1% e fecha a R$ 5,20, no menor nível desde maio de 2024
Na véspera da ‘Super Quarta’, o dólar continuou enfraquecido com possível intervenção cambial do iene, fluxo estrangeiro, valorização das commodities e prévia de inflação no Brasil.
Nesta terça-feira (27), o dólar à vista (USDBRL) encerrou a sessão a R$ 5,2067, com queda de 1,38%, no menor nível desde maio de 2024.
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O movimento acompanhou a tendência externa. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava em queda de 0,83%, aos 96.214 pontos.
O que mexeu com o dólar hoje?
O dólar manteve o ritmo de perdas ante as moedas globais com incertezas geopolíticas.
O mercado também ficou à espera do discurso do presidente norte-americano, Donald Trump.
O pronunciamento, sem hora marcada, deve acontecer ainda hoje. Trump deve comentar sobre o desempenho da economia e “acessibilidade de custos (affordability)”, segundo a secretária de impresa da Casa Branca, Karoline Leavitt.
Além disso, uma nova paralisação do governo dos Estados Unidos seguiu no radar. De acordo com a plataforma Polymarket, o mercado vê 79% de chance de o governo norte-americano entrar em um novo shutdown a partir do próximo sábado. Ontem (26), a probabilidade era de 81%.
Vale lembrar que, no ano passado, os EUA vivenciaram a maior paralisação da história, de 43 dias, e atrasos na publicação de dados econômicos como um dos principais impactos.
A divisa norte-americana também foi pressionada pela forte valorização do iene, em meio a especulação crescente do mercado de que o Japão realizará, em breve, uma intervenção no câmbio.
Hoje (27), a ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, disse que o governo tomará as medidas apropriadas em relação ao câmbio, se necessário.
Quando questionada se alguma verificação de taxa foi realizada, Katayama disse que não comentaria sobre os movimentos da moeda, mas reiterou que o governo continuará a coordenar estreitamente com as autoridades dos Estados Unidos, conforme necessário, e responderá adequadamente.
À espera da ‘Super Quarta’
O mercado também operou à espera da ‘Super Quarta’, dia marcado por decisões de política monetária nos EUA e no Brasil.
Lá fora, a aposta é de que o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed) manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
Por aqui, o mercado também espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central mantenha a Selic inalterada em 15% ao ano, mas com alguma indicação de início de um afrouxamento monetário em março.
Real forte
No Brasil, o real ganhou força com a prévia da inflação abaixo do esperado – além da expectativa de manutenção da Selic amanhã (28).
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação e um dos principais termômetros para as expectativas em torno da política monetária no Brasil, avançou 0,20% em janeiro, segundo dado divulgado pelo IBGE.
A estimativa era de que o índice avançaria 0,23% neste mês, de acordo com a mediana das projeções.
No período de 12 meses, o IPCA-15 teve alta acumulada de 4,50%, ante a previsão de 4,52%.
O resultado de janeiro foi a segunda menor taxa de inflação para o mês desde a implementação do Plano Real, acima apenas dos 0,11% registrados em janeiro de 2025.
O Itaú BBA destaca que, embora o IPCA-15 tenha vindo qualitativamente melhor do que o esperado, os itens mais sensíveis à mão de obra seguiram acelerando, refletindo a resiliência do mercado de trabalho.
Já para Alexandre Maluf, economista da XP, o IPCA-15 trouxe algumas surpresas. Entre os efeitos baixistas, destacam-se o emplacamento e licenciamento de veículos — impactados por um desconto de 50% no Paraná —, a alimentação no domicílio e a energia elétrica residencial.
“Do ponto de vista da política monetária, este resultado isolado não é um game changer e não muda a postura do Copom. Pelo contrário, reforça a cautela que o comitê vem adotando em várias reuniões recentes”, avaliou o economista.
A valorização das commodities também beneficiou o real. O contrato futuro do petróleo Brent, referência para o mercado mundial, para março encerrou as negociações com alta de 2,81%, a US$ 66,59 o barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Em linhas gerais, países emergentes e exportadores de commodities, como o Brasil, tendem a ser impactados positivamente através do aumento dos preços das commodities.
*Com informações de Estadão Conteúdo