Dólar à vista opera abaixo de R$ 5,20; o que tem derrubado as cotações da moeda?
O dólar opera abaixo de R$ 5,20, no menor nível em quase dois anos, nesta quarta-feira (28).
Por volta de 11h30 (horário de Brasília), o dólar à vista (USDBRL) operava a R$ 5,19516, com queda de 0,22%. Na mínima intradia, a moeda foi cotada a R$ 5,1713 (-0,68%) no mercado à vista.
Já era esperado que o dólar iniciasse a sessão em tom negativo por um ajuste técnico, já que o dólar futuro seguiu em trajetória de queda após o fechamento do mercado regular ontem (27).
O movimento também acompanha a fraqueza da moeda norte-americana no exterior. No mesmo horário, o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, opera no nível dos 96,000 pontos após encerrar no menor nível desde meados de fevereiro de 2022 na véspera (27).
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o dólar “está ótimo”. “Acho que está ótimo, o valor do dólar está indo muito bem”, disse Trump em entrevista a repórteres em Iowa.
“Se você olhar para a China e o Japão, eu costumava lutar como o inferno com eles, porque eles sempre queriam desvalorizar”, acrescentou Trump.
Apenas em janeiro, o dólar à vista acumula queda de mais de 5,5% ante o real. O DXY também tem desempenho negativo de 2%.
O que derruba o dólar hoje?
Ao menos três fatores contribuem para o fortalecimento do real ante o dólar nesta quarta-feira (28).
Em primeiro lugar, a divisa norte-americana já vem sendo pressionada ante moedas fortes pela escalada das tensões geopolíticas protagonizadas pelo presidente norte-americano Donald Trump, como a disputa pela Groenlândia e as movimentações no Oriente Médio.
Hoje, o presidente norte-americano fez um apelo ao Irã para chegar a um acordo, caso contrário, o próximo ataque será “muito pior”.
Em uma publicação na rede social Truth, o presidente norte-americano disse que uma “grande armada” naval está se deslocando rapidamente ao país, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio. Ele ainda declarou que a frota é “maior do que a enviada à Venezuela”.
Vale lembrar que os EUA realizaram ataques contra o Irã em junho do ano passado. O país persa é um dos principais exportadores para a China, o segundo maior consumidor de petróleo do mundo.
Essas tensões têm resultado na ‘fuga de dólares’ dos Estados Unidos para outros mercados, como os emergentes, e para outros ativos de segurança. O ouro, por exemplo, opera nos níveis recordes, negociado a cerca de US$ 5,2 mil por onça-troy na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Uma possível intervenção cambial no Japão também tem pressionado a divisa norte-americana. Nesta terça-feira (27), a ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, disse que o governo tomará as medidas apropriadas em relação ao câmbio, se necessário.
Quando questionada se alguma verificação de taxa foi realizada, Katayama disse que não comentaria sobre os movimentos da moeda, mas reiterou que o governo continuará a coordenar estreitamente com as autoridades dos Estados Unidos, conforme necessário, e responderá adequadamente.
Há também a expectativa pelas decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil. Lá fora, a aposta é de que o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed) decida pela manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, há chance de 97,2% de o Fed manter os juros. O mercado só precifica um corte no Fed Funds no segundo semestre deste ano.
Por aqui, o mercado espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central também decida manter os juros inalterados em 15% ao ano. Contudo, o início de flexibilização com um corte de 0,25 ponto percentual também está no radar – pelo menos, na visão do BTG Pactual e do Bank of America (BofA).
Segundo a Opções do Copom da B3, há 81% de chance de o Copom manter a Selic, considerando ontem (27) como a data de referência. Já uma pesquisa realizada pelo BTG Pactual mostrou que 76% dos entrevistados esperam uma manutenção dos juros, mas 68% deles consideram que reduzir a Selic seria “justificável”.
O real, por sua vez, é ainda beneficiado pelo diferencial de juros entre o Brasil e os EUA.
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