Depois de oscilar no campo negativo ao longo de quase todo o pregão, o dólar virou nos minutos finais e fechou com leve alta de 0,10% frente ao real nesta segunda-feira (23), cotado a R$ 5,183.
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O movimento da moeda americana destoou do exterior. O índice DXY, que mede a força do dólar ante uma cesta de divisas fortes, recuava 0,08% às 17h15, aos 97,706 pontos.
“Tivemos uma sessão volátil, na qual o dólar chegou a ser negociado próximo de R$ 5,15. Lá fora, a moeda perdeu força acompanhando a queda dos juros dos Treasuries ao longo de toda a curva, com destaque para o vencimento de 10 anos, que recuou mais de 6 pontos-base”, afirma Bruno Shahini, economista da Nomad.
Segundo ele, o enfraquecimento do dólar no exterior refletiu a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma nova tarifa global de 15%, após a Suprema Corte considerar ilegais parte das medidas anteriores.
Apesar da nova rodada de tarifas, a avaliação é que muitos países, incluindo o Brasil, devem enfrentar alíquotas menores, o que pode contribuir para reduzir pressões inflacionárias nos EUA e abrir espaço para cortes adicionais de juros pelo Federal Reserve.
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No cenário doméstico, o destaque ficou com o Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central. Para 2026, as projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foram revisadas de 3,95% para 3,91%. Já a estimativa para a Selic caiu de 12,25% para 12,13%.
“O Focus trouxe uma melhora no cenário, com inflação mais baixa, PIB mais forte, dólar projetado em patamar inferior e expectativa de Selic menor. Esse conjunto ajudou a aliviar a renda fixa, que segue relativamente estável, e deixou o ambiente mais favorável aos ativos locais”, diz José Faria Júnior, planejador financeiro da Planejar.
Se, por um lado, o ajuste nas projeções contribui para aliviar a curva de juros, por outro reduz o diferencial de taxas entre o Brasil e o exterior, diminuindo parte do apelo das estratégias de carry trade.