Dono do Cruzeiro recebe aval do Cade para ampliar império de supermercados e criar grupo com receita anual de R$ 35 bilhões
Se nos gramados o nome de Pedro Lourenço passou a ser associado aos investimentos no Cruzeiro, nos negócios o empresário segue protagonizando um dos maiores movimentos do varejo brasileiro. O controlador do Supermercados BH obteve aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para a compra de lojas da DMA Distribuidora.
A transação amplia a escala da rede mineira e fortalece sua posição entre os principais grupos supermercadistas do país. A autorização do Cade dá sinal verde para a aquisição de ativos da DMA, empresa responsável pelas bandeiras Epa, Mineirão e Brasil Atacarejo.
A operação faz parte do acordo anunciado entre as duas companhias neste ano e representa mais um passo na estratégia de crescimento do grupo comandado por Pedro Lourenço.
Durante a análise do caso, o Cade avaliou possíveis impactos concorrenciais em mercados locais onde as duas redes já atuam. Após ajustes na transação, o negócio foi aprovado sem a imposição de restrições adicionais, permitindo que a incorporação dos ativos siga adiante.
Supermercados BH se expande rumo ao Nordeste
Com a conclusão da operação, o Supermercados BH amplia sua presença para além de Minas Gerais e do Espírito Santo, reforçando a atuação em estados onde a DMA já possuía operações, como Bahia e Pernambuco. O grupo combinado deverá reunir cerca de 600 unidades, além de centros de distribuição e postos de combustíveis.
Segundo projeções de mercado baseadas nos dados do ranking da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), a combinação dos negócios pode elevar a receita anual para aproximadamente R$ 35 bilhões, consolidando a companhia entre os maiores grupos do varejo alimentar do Brasil.
Fundado por Pedro Lourenço, o Supermercados BH encerrou 2025 com faturamento superior a R$ 25 bilhões e ocupa posição de destaque no ranking nacional do setor. Já a DMA figurava entre as principais redes supermercadistas do país, com receita próxima de R$ 9 bilhões no mesmo período.
A aprovação do Cade marca mais um capítulo na expansão acelerada do empresário mineiro, que ganhou projeção nacional após assumir o controle da SAF do Cruzeiro, mas segue concentrando seus maiores movimentos financeiros no varejo.
*Estagiário sob supervisão de Ricardo Gozzi.