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‘Dovish’ demais? Tom do BC preocupa e Goldman vê espaço limitado para novos cortes

18 jun 2026, 9:45 - atualizado em 18 jun 2026, 9:45
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(Imagem: iStock/ Rmcarvalho)

O Comitê de Política Monetária (Copom) voltou a cortar juros nesta quarta-feira (17), mas deixou mais dúvidas do que respostas. Para o Goldman Sachs, o Banco Central adotou um tom mais brando do que o cenário de inflação sugere.

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Para o banco, o documento revela um descompasso entre a flexibilização da política monetária e a piora das projeções de inflação no horizonte relevante. Em relatório, a equipe avalia que o Copom “não parece dar o devido peso à deterioração significativa do cenário inflacionário” e às revisões altistas das projeções do próprio BC.

Segundo o relatório, as projeções de inflação avançaram de forma relevante, chegando a 5,2% no fim de 2026 e 3,7% no 4T27, permanecendo acima da meta de 3%. Além disso, o banco aponta deterioração também nos preços livres, que subiram para 5,3% no 4T26, reforçando a leitura de pressões mais disseminadas sobre a dinâmica inflacionária.

Outro ponto de destaque é a ausência de forward guidance explícito. O Copom limitou-se a reforçar um discurso de “serenidade e cautela” na condução da política monetária, em um ambiente descrito como de elevada incerteza. Na avaliação do Goldman, isso reduz a previsibilidade do ciclo e deixa em aberto a trajetória da Selic nos próximos meses. “O comunicado e a sinalização futura carecem de clareza e objetividade e parecem dovish”, destaca o banco.

O banco também chama atenção para a afirmação de que diferentes trajetórias de juros ainda seriam compatíveis com a convergência da inflação à meta, o que, na prática, indica maior flexibilidade, mas também menos compromisso com um caminho específico de afrouxamento monetário.

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“O Copom argumenta que trajetórias alternativas da Selic ainda são consistentes com a convergência da inflação à meta”, diz o relatório.

Além disso, o Comitê incluiu um novo risco altista no balanço de inflação, relacionado a estímulos à demanda agregada que podem levar o crescimento acima do potencial, somando-se a preocupações já existentes com choques de oferta e resiliência da atividade.

Para o Goldman Sachs, apesar do corte desta reunião, o espaço para novas reduções no curto prazo parece limitado. O banco afirma que irá reavaliar sua trajetória projetada para a Selic após a divulgação da ata na próxima semana, diante de um cenário que combina inflação mais pressionada e comunicação menos clara do Banco Central.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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