Internacional

‘É hora de apertar o pescoço da China’; por que a guerra do Irã é mais ampla, segundo Walter Maciel

06 mar 2026, 17:41 - atualizado em 06 mar 2026, 17:41
china EUA tarifas Na fixação mensal desta segunda-feira, a China manteve a taxa primária de empréstimo de um ano (LPR) em 3,1%, enquanto a LPR de cinco anos ficou em 3,6%
(Imagem: Getty Images Signature/Canva Pro)

Os últimos meses mostraram a força dos Estados Unidos em assuntos geopolíticos. Primeira, com a invasão na Venezuela, com a deposição do ditador, Nicolas Maduro, e agora com a guerra do Irã. Para o gestor Walter Maciel, da AZ Quest, não se trata de uma simples coincidência e sim um movimento mais amplo: sufocar a China.

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“Na minha visão, o que os Estados Unidos estão fazendo agora é tentar resolver essa disputa geopolítica mais rapidamente do que muitos imaginavam. E não se trata de uma decisão precipitada”, disse em evento da Fami Capital, em São Paulo.

Ele recorda que os Estados Unidos têm algo que o Brasil não tem: uma política de Estado que olha para gerações. E eles perceberam que este é um momento de pressionar a China. E por quê? “Porque a China enfrenta desafios que, na minha visão, são essencialmente aritméticos”.

No caso da Venezuela, Maciel disse que houve um movimento para reduzir a influência chinesa na América Latina — por exemplo, na Venezuela, que fornecia petróleo barato à China.

“Depois vem o movimento envolvendo o Irã”.

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Ao enfraquecer o Irã e sua rede de aliados — como Hamas e Hezbollah —, explica, os Estados Unidos também afetam a cadeia de fornecimento militar da Rússia, já que o Irã vinha fornecendo drones usados na guerra da Ucrânia.

“Além disso, há o controle de pontos estratégicos, como o Estreito de Hormuz. Quem depende muito desse petróleo? China e Índia”.

Os problemas na China

A questão toda, segundo Maciel, gira em torno dos problemas que o país asiático enfrenta. Entre eles a questão demográfica.

“Durante décadas, a China adotou a política de um filho por família. Isso funcionou enquanto o país crescia muito rapidamente. A economia chegou a crescer 15%, depois 12%, 10%, 8% ao ano. Hoje, porém, a população em idade de trabalhar está diminuindo”.

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Mesmo que o governo tente reverter a política agora, diz, já existe um fator cultural instalado. As famílias simplesmente não querem ter mais filhos.

Ao mesmo tempo, afirma, há dúvidas sobre o próprio crescimento econômico. O governo chinês afirma que o PIB cresceu cerca de 5% no ano passado. Mas o índice de preços ao produtor (PPI) está em deflação há quase dois anos.

“É difícil conciliar crescimento de 5% com uma queda persistente nos preços industriais. Algumas estimativas independentes sugerem que a economia chinesa pode ter crescido algo próximo de 2% ou 2,5%”.

Segundo projeções da ONU, a China pode perder cerca de 500 milhões de habitantes ao longo dos próximos 25 anos. Em poucos anos, o país poderá ter algo como 340 milhões de aposentados para cerca de 770 milhões de trabalhadores.

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“Nenhum país resolveu um problema desse tamanho de forma simples. E isso se soma a outro ponto: o nível de endividamento”.

A dívida total da economia chinesa gira em torno de 350% do PIB.

“A China tem uma dívida muito elevada, paga juros de aproximadamente 4% ao ano e cresce, possivelmente, menos do que isso. Nesse cenário, a relação dívida/PIB tende a continuar aumentando”.

Foi nesse contexto, segundo ele, que os Estados Unidos passaram a agir.

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“No fim das contas, se esse processo levar a um enfraquecimento das alianças entre China, Rússia e Irã, o mundo pode voltar a algo mais próximo de um sistema unipolar — semelhante ao que existia após 1991. Os Estados Unidos continuam tendo uma vantagem enorme”.

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intesivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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