EcoRodovias (ECOR3) foca execução e prioriza capex contratado: ‘é onde está o retorno’
Após um ciclo de expansão acelerado, a EcoRodovias (ECOR3) entrou em uma nova fase focada na execução dos contratos já conquistados, com prioridade na entrega de investimentos e captura de valor do portfólio.
“A principal alocação de capital é executar os contratos. É isso que realiza o retorno”, afirmou o CEO Marcello Guidotti, durante o 12th Annual Brazil Investment Forum, do Bradesco BBI, nesta quarta-feira (8).
Segundo o executivo, o crescimento recente — com as novas concessões — alongou significativamente o perfil dos ativos, com contratos que chegam a 20 ou 30 anos. Isso exige planejamento mais robusto, mas também abre espaço para ganhos de escala.
A companhia investiu cerca de R$ 18 bilhões nos últimos quatro anos e segue com um ritmo elevado de desembolsos. A expectativa, segundo Guidotti, é manter investimentos anuais na casa de R$ 5 bilhões a R$ 6 bilhões, além de novos projetos que podem adicionar entre R$ 8 bilhões e R$ 9 bilhões em capex ao portfólio.
“Não caímos de paraquedas. Tudo foi planejado”, disse o executivo, ao destacar que a estratégia inclui uso intensivo de tecnologia, parcerias com fornecedores e planejamento antecipado para mitigar riscos como inflação e aumento de custos.
EcoRodovias mais seletiva
Após participar ativamente de leilões nos últimos anos, a EcoRodovias deve adotar uma postura mais seletiva daqui para frente. A estratégia da companhia é focar no próprio portfólio e em oportunidades específicas, em um modelo que o executivo definiu como “cherry picking”.
“Participamos de muitos projetos, mas fomos seletivos. Isso vai continuar”, afirmou.
Um dos principais vetores de crescimento passa a ser os aditivos contratuais, que ampliam investimentos e receitas dentro das concessões existentes. Entre os destaques está o projeto de uma terceira ligação entre São Paulo e o Porto de Santos, considerado um dos principais investimentos em discussão.
“A alocação de capital estará dedicada aos contratos existentes”, disse.
Guidotti também destacou avanços no ambiente regulatório, com maior clareza nas regras e melhorias operacionais. Segundo ele, houve evolução em pontos como revisão de parâmetros contratuais, padronização de fiscalização e incorporação de novas tecnologias.
Para a companhia, o principal desafio não é mais ganhar concessões, mas executar os projetos com eficiência, controlando custos e garantindo retorno. “Infraestrutura é execução. É isso que gera valor”, disse.