“Eleição pode travar ciclo de cortes da Selic entre agosto e setembro”, afirma especialista; Veja destaques do Giro do Mercado de hoje (23)
Na manhã desta segunda-feira (23), o Ibovespa (IBOV) amanheceu oscilando. O foco do mercado esteve voltado para a nova política tarifária de Donald Trump e para os novos dados do Boletim Focus, que trouxe novas projeções para a inflação e PIB de 2026.
Nesta edição do Giro do Mercado a jornalista Giovana Leal recebe Josias Bento, especialista em investimentos da GT Capital, para repercutir os assuntos em destaque no mercado hoje.
Hoje, o relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, apresentou novas projeções para este ano. A inflação projetada para 2026 caiu de 3,95% para 3,91%. Já para o PIB a projeção aumentou de 1,80% para 1,82%. A Selic também sofreu alterações, de 12,25% para 12,13% e o dólar variou de R$ 5,50 para R$ 5,45. Todas as expectativas para 2027 foram mantidas.
“A princípio, em 2026, ano eleitoral, há menos risco de oscilações, com exceção do dólar, que costuma variar em anos de eleição. O risco de alteração nesses dados está um pouco mais comedido, com a bolsa ultrapassando os 190 mil pontos e com a entrada de mais capital estrangeiro no Brasil”, explica.
Ele explica que, no momento, o mercado não vê muitas diferenças em relação às políticas fiscal e monetária no contexto das eleições. “O que precisamos entender quais agendas sejam mais usuais entre esses dois candidatos que afetem a inflação e a decisão de juros”, explicou Bento.
Em relação às projeções de inflação e da Selic, o especialista da GT afirmou que os números estão em linha com a análise da GT Capital. “Acreditamos que vamos ter uma Selic próxima dos 12%. O Copom tende a cortar na próxima reunião entre 0,50 a 0,75 pontos percentuais. Se ele cortar muito mais do que isso, algo como 1 ponto percentual, a Selic pode chegar a 12% no final de 2026. Mas isso depende muito da inflação”, apontou.
Ele expôs que o Banco Central deve, ao longo do ano, trazer maior cautela em relação ao corte de juros.
De acordo com Bento, a aposta da GT para o corte é de uma redução mais significativa ainda no início de 2026: “Precisamos de um corte um pouco maior agora no início, porque entre a quarta e a quinta reunião acontecem as eleições. Em período eleitoral, se o BC pode adotar a postura de cortar cada vez mais juros, pode ser levado para um viés um pouco mais político. Eu não acredito que o Galípolo vai querer fazer isso”.
No mundo corporativo, a Telefônica Brasil (VIVT3), dona da Vivo, era destaque do dia após anunciar um lucro líquido de R$ 1,88 bilhão no quarto trimestre de 2025, alta de 6,5%.
O programa também ressaltou a Azul (AZUL54), que concluiu seu processo de reestruturação financeira nos Estados Unidos e saiu do Chapter 11 após cumprir todas as condições previstas no plano de reorganização homologado em dezembro de 2025.
Entre os destaques negativos do principal índice da bolsa, a Natura (NATU3) esteve em evidência, com uma queda de 0,30%.
No cenário internacional, a Suprema Corte dos EUA declarou ilegais as amplas tarifas impostas por Donald Trump. O presidente, no entanto, assinou uma nova ordem executiva impondo tarifas de 10% sob a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974. No sábado, a taxa foi elevada para 15%.
*Com supervisão de Vitor Azevedo