Em discurso, Trump contraria expectativas e não dá prazo para fim da guerra no Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse em um discurso televisionado na noite desta quarta-feira (1) que os militares norte-americanos quase atingiram seus objetivos no Irã, mas não apresentou um cronograma claro para encerrar a guerra de um mês e prometeu bombardear o país de volta à “Idade da Pedra”.
Diante de uma opinião pública americana cansada da guerra, queda em seus índices de aprovação e pressão de alguns aliados para detalhar seus objetivos militares de forma mais precisa e consistente, Trump afirmou que os EUA destruíram a Marinha e a Força Aérea do Irã e incapacitaram seus programas de mísseis balísticos e nuclear.
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Mas ele se recusou a apresentar um plano concreto para encerrar o conflito, agora em sua quinta semana, além de dizer que os EUA concluiriam a missão “muito rapidamente”.
“Temos todas as cartas”, disse Trump da Casa Branca em seu primeiro pronunciamento em horário nobre desde que os EUA e Israel iniciaram a guerra em 28 de fevereiro. “Eles não têm nenhuma”.
Trump minimizou algumas questões importantes ainda não resolvidas, como a situação do urânio enriquecido do Irã e o acesso ao Estreito de Ormuz, uma via essencial para o abastecimento global de petróleo que o Irã efetivamente fechou.
O estreito, disse ele, seria reaberto “naturalmente” assim que a guerra terminasse.
O discurso de 19 minutos de Trump trouxe poucas novidades e ofereceu pouca tranquilidade aos americanos e aliados dos EUA, que enfrentam aumento nos preços dos combustíveis e crescente impaciência com a guerra.
Ações caíram, o dólar se fortaleceu e o petróleo subiu logo após os comentários de Trump, refletindo a percepção generalizada de que o conflito deve se arrastar por algum tempo.
“De volta a idade da pedra”
O presidente e seus assessores têm apresentado explicações e cronogramas variáveis para o conflito, bem como sobre o que exigirão do Irã para encerrá-lo. Embora descreva o Irã como militarmente neutralizado, Trump também disse que os EUA atingiriam o país com força por mais duas ou três semanas.
Se os novos líderes do país não negociassem de forma satisfatória, afirmou, os EUA começariam a atacar a geração de eletricidade e a infraestrutura petrolífera do país.
Enquanto Trump discursava, sirenes de ataque aéreo soavam tanto em Doha quanto em Tel Aviv, ilustrando como a República Islâmica ainda é capaz de causar estragos no Oriente Médio, apesar de sofrer pesadas perdas.
“Vamos atingi-los com extrema força nas próximas duas a três semanas”, disse Trump. “Vamos levá-los de volta à Idade da Pedra, onde eles pertencem”.
“Enquanto isso, as discussões continuam”, acrescentou. “Ainda assim, se durante esse período nenhum acordo for fechado, estamos de olho em alvos-chave”.
Um dia antes, Trump disse a repórteres que Teerã não precisava firmar um acordo como pré-requisito para que o conflito começasse a diminuir.
Embora o presidente tenha reconhecido brevemente, na quarta-feira, as crescentes preocupações entre os americanos de que a guerra está tornando a gasolina inacessível, ele insistiu que os preços cairão em breve e que os aumentos são principalmente culpa do Irã.
Ele acrescentou que países que obtêm a maior parte de seu petróleo da região do Golfo deveriam liderar a reabertura do estreito. Reino Unido, França e outros aliados dos EUA disseram estar dispostos a ajudar a manter o estreito aberto, mas apenas após o fim das hostilidades.
“Eles podem fazer isso facilmente”, disse Trump. “Seremos úteis, mas eles devem assumir a liderança na proteção do petróleo do qual dependem tão desesperadamente”.
Trump expressou irritação com o fato de aliados da Otan não terem se oferecido para ajudar a reabrir o estreito, chegando a ameaçar retirar os EUA da aliança de 76 anos.
Embora tenha dito à Reuters mais cedo naquele dia que discutiria a relação dos EUA com a Otan em seu discurso, ele não mencionou o bloco.
Público quer o fim da guerra
Em uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada de sexta a domingo, 60% dos eleitores disseram desaprovar a guerra, enquanto 35% a aprovam. Cerca de 66% dos entrevistados disseram que os EUA deveriam trabalhar para encerrar rapidamente sua participação no conflito, mesmo que isso significasse não atingir os objetivos estabelecidos pela administração.
Trump, por sua vez, tem considerado tanto opções de escalada quanto de desescalada do conflito, e seus próximos passos não estão claros, nem mesmo para alguns assessores próximos. Seu discurso ofereceu pouca clareza adicional.
Autoridades do governo cogitaram uma operação ousada para apreender fisicamente os estoques restantes de urânio altamente enriquecido do Irã, bem como operações terrestres para tomar áreas estratégicas — incluindo partes da costa iraniana e a ilha de Kharg, por onde o Irã exporta a maior parte de seu petróleo.
Milhares de tropas adicionais continuam sendo enviadas para a região do Golfo, indicando que o presidente quer manter abertas suas opções militares.
Trump pediu aos americanos que “mantenham este conflito em perspectiva”, observando que guerras anteriores no Iraque, Vietnã e Coreia exigiram um envolvimento dos EUA por muito mais tempo.